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Arquiteta troca três vezes de país no espaço de seis anos 

por Redação

10 de outubro de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Catarina Almeida não nasceu em Viseu, mas traz a cidade de Viriato no coração. Natural de Lisboa, mudou-se com a família para a capital da Beira Alta quando tinha apenas cinco anos e por lá ficou até à idade adulta. Grande parte da vida foi, por isso, passada no concelho viseense.  

Com um mestrado em arquitetura feito em Portugal, abandonou o nosso país há nove anos para fazer uma nova formação. Na altura, estava a trabalhar num ateliê no Porto. 

“Saí em 2011, abandonando um trabalho estável na minha área, para fazer um segundo mestrado, desta vez em arquitetura paisagista em Copenhaga, na Dinamarca. O objetivo principal não era o de conseguir um segundo mestrado, mas sim o de adquirir experiência internacional e de aprender o máximo possível, quer a nível profissional e cultural quer a nível pessoal”, explica. 

Catarina escolheu a capital dinamarquesa por ser “uma cidade pioneira na área da sustentabilidade”, estando ainda “repleta de fontes de inspiração nas áreas do design, arquitetura e paisagismo”. 

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A viver e a trabalhar na Dinamarca, esta não é a única experiência internacional de Catarina. Depois do mestrado em Copenhaga mudou-se para a Suíça, onde trabalhou, na área, nas cidades de Zurique e Basileia. 

“Já tinha feito um estágio de nove meses em Zurique durante o meu mestrado na Dinamarca, pelo que regressei após a conclusão dos estudos fascinada pela arquitetura e paisagens suíças e por sentir uma maior afinidade com o país. No entanto, a vida dá muitas voltas e depois de ter estado na Suíça, regressei a Portugal e depois à Dinamarca, onde me encontro atualmente há três anos”, conta.

A arquiteta paisagista trabalha hoje num ateliê em Copenhaga. Apesar de estar empregada na mesma área do que em Portugal, diz que “os métodos de trabalho, objetivos e desafios nos dois países são bastante diferentes”. Quer na Dinamarca, quer Suíça, passou por várias empresas. 

Quanto à mudança para Copenhaga, a primeira cidade estrageira onde viseu, Catarina Almeida diz o primeiro ano na capital dinamarquesa “foi incrível”. 

“Era todo um novo mundo para explorar, uma cultura bastante diferente da nossa. Aprendi imenso com colegas e amigos vindos de todas as partes do mundo. No entanto, à medida que os colegas internacionais se iam embora, a permanência no país tornou-se mais aborrecida, porque apesar dos dinamarqueses serem super prestáveis e simpáticos, é mais difícil entrar no círculo de amigos deles”, refere.

Esta emigrante portuguesa garante que nunca se sentiu discriminada por ser estrangeira e revela que a língua pode ser uma “enorme barreira” no processo de integração. Por essa razão, recomenda sempre “a aprendizagem da língua o mais rapidamente possível” nos países em que o idioma oficial não seja o inglês. 

“É a única forma de uma pessoa se integrar totalmente, quer a nível pessoal como a nível profissional”, aponta.

O que mais gosta da Dinamarca é a importância que é dada aos tempos livres com amigos e família, bem como “o incentivo ao contacto e respeito pela natureza e meio ambiente”. Aprecia também a cultura e o design escandinavo e como isso influencia positivamente o modo de vida do país.

“Algo que nunca me vou habituar é ao vento. É um país plano e muito ventoso”, frisa.

Por norma, Catarina visita Portugal duas vezes por ano, no Natal e no verão. Não esconde que gostava “muito” de regressar de vez, mas isso é algo que “não será para breve”, apesar das saudades que sente da família, dos amigos, dos dias mais quentes e dos bons petiscos, que faz questão de dar a provar aos seus amigos internacionais. 

“Acho que a Dinamarca ainda me pode oferecer boas oportunidades para crescer profissionalmente, antes de regressar ao meu país”, acrescenta. 

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A covid-19 não fez a emigrante querer regressar mais depressa ao nosso país. Para além da situação pandémica ser pior atualmente em terras lusitanas, a arquiteta explica que tinha e tem trabalho e compromissos a cumprir. 

Com a pandemia, deixou de estar tantas vezes com os amigos e família. Na empresa onde trabalha, tiveram também que ser implementadas novas rotinas, como “a rotação de horários para evitar aglomerações de mais de 50 pessoas por cada piso do escritório”. 

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