13 Ago
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Da ilha de São Tomé para Viseu 

por Redação

18 de Julho de 2020, 08:30

Foto DR

CLIPS ÁUDIO

Marionel Pontes chegou na Portugal em 2012. Vai fazer em setembro oito anos. Natural de Boa Morte, nos subúrbios da capital de S. Tomé e Príncipe, Marionel deixou a terra natal para estudar. 

Da ilha no Equador mudou-se para Torredeita no concelho de Viseu, onde durante três anos frequentou o curso de técnico de eletrotécnica na escola profissional local. 

Com o diploma na mão, este santomense não voltou ao seu país. Preferiu ficar na cidade de Viriato onde está a cumprir o último ano do curso de Engenharia Eletrotécnica no Politécnico da cidade.  

“Fiquei em Viseu para continuar os estudos e vim porque ganhei uma bolsa atribuída pela Câmara de S. Tomé”, conta. 

Para além de estudar, este imigrante “alimenta” também uma página na rede social Instagram dedicada a conteúdos de moda e é vendedor de produtos de nutrição e bem-estar.  

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Quando questionado sobre se arrependeu da escolha que fez há quase uma década Marionel responde com um lacónico “não”. “Claro que não me arrependi”, afirma. 

Este estudante santomense está mais do que habituado e integrado em Portugal e em Viseu. Garante que a sua adaptação à nova realidade “não foi muito difícil”. 

“Correu bem a adaptação. Tínhamos uma comunidade muito unida em Torredeita e eu acho que isso foi muito importante. Passado uma semana já estava mais do que adaptado”, revela, acrescentando que “a maior dificuldade” que sentiu “foi viver sozinho”, uma vez que ainda era menor de idade. 

Em Viseu, Marionel destaca a calma da cidade, em contraste com Lisboa, que visita com regularidade e onde tem família. “O pessoal é acolhedor, nunca tive problemas por ser um aluno estrangeiro. Nunca foi discriminado, nem alvo racismo, nunca tive nenhum problema desses”, salienta. 

Na cidade aprecia igualmente os espaços verdes existentes e que lhe permitem um contacto com a natureza e nada de negativo tem a apontar porque, diz, “Viseu é uma boa cidade”. 

Quanto ao futuro, a ideia para já é estabilizar-se por cá, concluir o curso e depois fazer uma carreira no ramo da engenharia eletrotécnica.  

“Quero estabilizar-me aqui e depois no futuro talvez volte para dar um contributo para o meu país”, refere. 

Voltar a S. Tomé é uma possibilidade e nem a pandemia causada pelo novo coronavírus o fez querer regressar mais depressa. 

Com Portugal fechado entre março e abril, Marionel não esconde que passou “dias difíceis”, como o resto da população, principalmente durante o período em que não podia sair de casa.

“Mas eu estava focado no meu objetivo, naquilo que queria e que era acabar o meu curso e isso foi mais forte do que a covid. Passei uma temporada aqui e outra em Lisboa, com os meus familiares e por isso para mim foi normal. Tentei aprender novos hobbies, novos desafios”, adianta, acrescentando que na pandemia descobriu uma nova paixão: a fotografia. 

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