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Da Serra do Caramulo para o coração dos Alpes

por Redação

24 de outubro de 2020, 07:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

Maria Fernanda Rei Lima tinha 18 anos quando deixou a pequena aldeia de Almofala, na Serra do Caramulo, no concelho de Tondela, e rumou para a Suíça

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Maria Fernanda Rei Lima tinha 18 anos quando deixou a pequena aldeia de Almofala, na Serra do Caramulo, no concelho de Tondela, e rumou para a Suíça. Hoje tem 50 anos. Na altura, trabalhava como empregada de mesa e ajudante de cozinha em Águada de Cima.

“Queria ganhar algum dinheiro e regressar o mais rápido possível, mas enganei-me”, conta.

Genebra foi a primeira cidade a receber Maria. Na capital da paz, como também é conhecida a localidade, esteve cerca de um ano onde trabalhou como babysitter.

Depois mudou-se para Zermatt, onde ainda se encontra. “Vim para a Suíça porque tinha cá amigos meus de Portugal. Depois conheci o meu marido e construí família e por aqui fiquei até hoje”, diz.

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Em Zermatt já trabalhou na restauração, hotelaria e limpezas sobretudo quando os seus filhos “eram mais pequenos por causa dos horários flexíveis”. Hoje, está empregada no lar St. Mauritius onde é auxiliar de enfermagem.

“Esforcei-me para aprender a língua e fazer alguns cursos, amo o que faço”, sublinha.

Maria Fernanda Rei Lima não esconde que “foi estranho” quando chegou à Suíça. Sentia “dor” e não gostou do primeiro impacto. Atualmente, sente-se “mais à vontade”, mas não esquece, nem esconde que ainda hoje, 32 anos depois de ter chegado ao país helvético, continua a ser tratada como emigrante.

“Até os meus filhos que cá nasceram, sentem isso muitas vezes. Somos sempre emigrantes ou estrangeiros, apesar de nos sentirmos integrados”, lamenta.

Na Suíça aprecia diversos aspetos. São tantos que não consegue apontar nenhum em concreto. A neve, para surpresa de muitos, é o que menos gosta no país.

Sempre que pode esta emigrante visita Portugal. Vem “uma ou duas vezes por ano” e ainda pensa em regressar. Sente falta da “família, do cheirinho a terra, das festas e da comida portuguesa”.

“Para matar a saudade, às vezes faço comidas típicas portuguesas ou algo que me faça lembrar os meus pais. Telefono muitas vezes para a família e assim vou matando as saudades”, explica.

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