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Da Suíça para Portugal, depois para Itália, de novo para a Suíça para regressar outra vez a Itália

por Redação

07 de novembro de 2020, 08:30

Foto DR

CLIPS ÁUDIO

Lívia Gachter é uma autêntica cidadã do mundo. Filha de mãe portuguesa, nasceu em Martigny, na Suíça, cresceu em Portugal e depois de terminar a licenciatura mudou-se para Itália. Depois regressou a terras helvéticas, para voltar a seguir de novo ao país vizinho italiano. O regresso a Portugal também já está a ser pensado. 

Tinha apenas dez anos quando chegou ao nosso país. Veio com os pais e o irmão. Fixaram-se todos em Oliveira de Frades, onde os progenitores abriram um restaurante. Lívia diz que a “história de amor” dos pais é que devia ser contada e não a sua. 

A mãe, natural de Oliveira de Frades, mudou-se para a Suíça quando tinha apenas 17 anos. Foi lá que conheceu o homem com quem veio a casar, um suíço que estava a estudar para ser chef de cozinha, numa escola que ficava ao lado do hotel onde a mãe de Lívia trabalhava como empregada de mesa. 

“Eles conheceram-se e a minha mãe, depois de um ou dois anos, decidiu voltar para Portugal. O meu pai depois de ela voltar começou a chorar como um bebé e então veio à boleia da Suíça para Portugal sem saber dizer uma palavra de português. Ele veio cá buscá-la. Depois voltaram para a Suíça, entretanto eu e o meu irmão nascemos. O meu pai perdeu os pais e então eles decidiram vir para Portugal porque tinham cá mais família. Em Oliveira de Frades abriram a primeira pizzaria da região de Lafões”, conta. 

Lívia estudou na vila oliveirense do 5º ao 12º ano de escolaridade. Depois mudou-se para Coimbra, onde frequentou a licenciatura em Estudos Europeus e Direitos Humanos. Mal acabou o curso, em 2011, abandou o nosso país. 

“Não quis estar à espera de encontrar o emprego dos meus sonhos, concorri um bocadinho naquela para a Ryanair e correu muito bem. Fui contratada e comecei a trabalhar na aviação em Bérgamo, na Itália”, avança. 

Esta emigrante revela que era para trabalhar na companhia aérea apenas alguns meses, mas acabou por ficar mais tempo porque gostou do trabalho e das pessoas que conheceu e que ainda hoje são suas amigas. 

“Depois mudei-me para a EasyJet, para Genebra, já com o objetivo de me aproximar do mundo dos direitos humanos. Entretanto trabalhei numa ONG em Lausanne, na Suíça, e depois por motivos pessoais e de trabalho decidi voltar para Itália. Foi aí que tive uma colaboração, que devia ser só de um mês ou dois no setor do turismo e como correu muito bem a Alpitour, a maior empresa de turismo italiana ligou-me e desafiou-me para ir trabalhar em Turim”, refere. 

Lívia Gachter garante não ter “problemas” em mudar de país ou mesmo de cidade. A mudança é sempre uma aventura. 

“Acho que que tenho mais problemas em escolher um sítio onde quero estar. Se calhar começa a estar na altura de assentar, mas até hoje posso dizer que tenho a mala pronta e não tenho qualquer problema em mudar. Na empresa onde estou, sou muito apreciada por isso mesmo, porque se há algum problema eu dou suporte em outras partes de Itália”, explica. 

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Voltar a Portugal de vez também pode ser uma hipótese. Pondera fixar-se em Lisboa, onde se encontra o irmão, ou noutra cidade nacional em função das oportunidades de trabalho. 

“Tenho ideia de Lisboa, mas também já mandei currículos para o Qatar”, afirma, entre risos. 

Ainda que tenha sempre a mala pronta para o que der e vir, como diz, esta emigrante portuguesa não esconde a preferência por Itália. Considera que o país é já a sua segunda casa. É quase “italiana na maneira de pensar e de comer”. 

“Gosto muto de Itália, da leveza que eles têm. São disciplinados, têm muito bom gosto, mas têm um lado descomplicado e isso eu gosto imenso. E depois é a qualidade dos produtos, os aperitivos e o prosecco é uma das minhas paixões”, aponta. 

De negativo nada tem a apontar a não ser a burocracia e as forma caótica como as coisas funcionam, tal como em Portugal e em contraste com a Suíça, onde também viveu. Ainda assim, acrescenta que prefere o estilo de vida italiano.  

A pandemia causada pelo novo coronavírus e que na primeira vaga, em solo europeu, teve epicentro em Itália, também teve um forte impacto na sua vida. 

Esteve em confinamento entre março e maio, depois de o país ter entrado em 'lockdown'. Com a covid-19, começou a cozinhar melhor, sublinha, numa gargalhada, e até fez pão. 

Enquanto estava fechada em casa assistiu a autênticos concertos de música dos vizinhos, com quem partilhava uma varanda. Também participou em aulas de Yoga, ministradas por o vizinho de cima, um idoso, de 90 anos. 

Lívia não está assustada com a covid-19. Acredita que todos vamos ultrapassar este problema, ainda que todos tenhamos que tomar os devidos cuidados. 

O que mais a preocupou no início da pandemia foi o impedimento de sair de Itália, com o país fechado, para ajudar as pessoas que lhe são mais próximas em caso de necessidade.  

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