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De Goiânia para Viseu 

por Redação

04 de Julho de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Foi há 15 anos que Sheila D'Abadia chegou a Portugal. Natural de Goiânia, a capital do estado brasileiro de Goiás, veio para o nosso país porque queria “melhorar a vida financeira” da sua família. Acabou por escolher Viseu para se radicar, cidade onde tinha uma prima a viver. 

A intenção de Sheila, como a grande maioria dos imigrantes, era ganhar dinheiro, para se estabilizar, e voltar à terra natal. Acabou por não regressar a Goiânia. 

“Percebi que a realidade é diferente do que aquilo imaginava. Vi que as coisas aqui também custam, que temos que trabalhar, e cheguei à conclusão que era mais fácil trazer os meus filhos do que voltar”, explica, acrescentando que os filhos instalaram-se em Portugal há uma década, cinco anos depois de ter chegado ao nosso país. 

Apesar de ter família em Viseu, Sheila não esconde que a adaptação à realidade de Viseu “foi muito complicada”. “A cidade é um pouco pequena e era muito mais complicado para nos envolvermos com a sociedade. As mentalidades eram muito mais fechadas e as oportunidades de trabalho complicadas”, conta. 

Esta cidadã brasileira não esconde que se sentiu discriminada quando chegou, mas garante que com os filhos o cenário mudou de figura. 

“Os meus filhos acabaram os estudos aqui e houve um entrosamento mais fácil. As mentalidades são diferentes. Como somos emigrantes sofremos sempre algum preconceito porque não somos de cá. Mas já me sinto mais integrada até porque nós como emigrantes temos que nos adaptar à nova realidade”, diz, realçando que qualquer migrante sofre um “conflito de culturas”. 

Quando chegou, Sheila fez de tudo um pouco. Tomou conta de crianças, trabalhou nas limpezas e esteve empregada numa residencial, onde conseguiu tratar dos papéis para se legalizar. 

Entretanto a sua vida já mudou mais uma vez. Depois de trabalhar na residencial, frequentou um curso do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Quando concluiu a formação abriu um centro de estética, onde trabalha como cabeleireira. As duas filhas também ajudam, uma na parte da estética e outra na barbearia. 

“Temos uma empresa familiar. Procurei uma profissão para aumentar os meus rendimentos e foi aí que começou a melhor parte [da minha passagem por Portugal]”, adianta.  

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Desde que aterrou em Portugal nunca saiu de Viseu. Tanto Sheila D'Abadia como os filhos já se sentem portugueses e viseenses. 

“Viseu é uma cidade muito aconchegante, com qualidade de vida e muito segura. Isso tudo foi diferente para mim. No início estranhei, mas depois entranhou-se”, refere. 

Do nosso país, destaca o apoio que o Estado deu a toda a família e que permitiu que os filhos concluíssem os estudos, em “igualdade de direitos com os portugueses”. 

Esta imigrante já voltou ao Brasil, mas só de férias. Também já recebeu a visita de familiares. É em Portugal que quer ficar porque já tem “a vida mais orientada” neste lado do Atlântico. 

“Voltar de vez não quero. Não posso dizer nunca, mas enquanto der fico cá”, vinca, acrescentando que nem com a pandemia causada pelo novo coronavírus ponderou regressar a solo brasileiro. 

Sheila não esconde que a covid-19 lhe mudou a vida e lhe afetou o negócio. Conta que no início ficou bastante ansiosa porque ficou sem trabalhar. Ainda que não tenha recebido qualquer apoio do Estado a sua empresa já voltou a laborar. 

“Temos conseguido trabalho e arcar com os nossos compromissos. Está a correr bem, apesar da situação que o país atravessa. Agora é torcer [para que o cenário melhore] e fazer a nossa parte para que as coisas caminhem para a frente”, conclui.

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