13 Ago
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De Viseu para a capital da União Europeia 

por Redação

25 de Julho de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

O enfermeiro Diogo Paixão deixou Portugal há um ano e quatro meses. Natural de Viseu, pensava em emigrar desde que terminou a licenciatura em 2014, mas como arranjou logo trabalho foi ficando no nosso país. 

Durante quatro anos exerceu enfermagem na unidade de cuidados continuados da Acredita, mas sempre com a emigração na sua mente. “Em meados de 2018 decidi que era mesmo o que eu queria e fui à procura da oportunidade”, conta.

“Decidi emigrar porque queria ter a oportunidade de trabalhar em contexto hospitalar e em Viseu isso seria difícil devido aos concursos dúbios. Procurava também melhores condições de trabalho, maior reconhecimento e claro não menos importante melhor remuneração”, explica, acrescentando que buscava “novas experiências e novas maneiras de trabalhar e de estar na vida”, algo que considera “enriquecedor”.

Diogo vive e trabalha em Bruxelas, na Bélgica. Queria ter ido para Inglaterra, mas por causa do Brexit e das exigências ao nível da língua acabou por aceitar uma oferta que recebeu de uma empresa de recrutamento para trabalhar no coração da União Europeia. 

“Foi a minha primeira experiência no estrangeiro, nunca fiz Erasmus e mesmo durante o meu percurso académico foram poucos os estágios em que saí de Viseu. Foi um choque durante o primeiro mês, mas depois veio a revelar-se bastante enriquecedor tanto a nível pessoal como profissional”, explica.

No emprego destaca o facto de trabalhar numa equipa que opera “em todos os serviços no Hospital”, um conceito totalmente novo para si e que desconhece que seja utilizado em Portugal. 

“O facto de trabalhar nessa equipa proporcionou-me bastantes aprendizagens e conhecimentos que não seriam possíveis se trabalhasse num só serviço”, aponta. 

Este viseense não esconde que foi um “choque” a mudança de país e a primeira impressão que teve do país também não foi a melhor, porque passou a estar sozinho, longe da família e dos amigos. 

“Depois veio a barreira linguística. Apesar de ter feito um curso de Francês, acabava por não compreender muita coisa do que me era dito e tinha também dificuldades de expressão”, refere, salientando que sempre se sentiu “bem acolhido” tanto pelos colegas de trabalho, como pelos próprios utentes. 

Em terras belgas o que mais aprecia é o seu emprego, as pessoas com quem trabalha, os portugueses que conheceu e que se tornaram seus amigos. 

“Não gosto do inverno, do trânsito, de algumas zonas da cidade menos seguras e sujas”, adianta. 

Diogo tenta visitar Portugal a cada três meses. Não vem mais vezes por causa dos gastos das viagens. Do nosso país, tem saudades da família, dos amigos, dos seus cães, mas também da comida, das noites quentes de verão, “de uma esplanada repleta de gargalhadas amigas, acompanhadas de uma cerveja fresquinha”. 

É por isto e muito mais que quer voltar a terras lusitanas e de Viriato. “Não quero viver uma vida inteira longe da minha família, no entanto, não pretendo regressar num futuro próximo”, avança. 

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Nem a pandemia do novo coronavírus, o fez pensar em regressar mais depressa, ainda que tenha ficado com receio por causa dos seus familiares. 

“Com a covid-19, continuei a trabalhar como não poderia deixar de ser, mas foi bastante diferente. O hospital ficou vazio e silencioso, pairava no ar um sentimento de incerteza, por vezes insegurança devido à falta de conhecimento”, detalha, acrescentando que “com o passar do tempo, as informações começaram a ficar mais claras e todos os profissionais e respetivos quadros de chefia uniram-se para combater um inimigo em comum”. 

Nunca deixou de trabalhar, mas no confinamento este emigrante português só saía de casa para ir para o emprego e ao supermercado comprar bens essenciais. 

Em setembro vai regressar ao nosso país, mas de férias. Até lá espera que “a situação continue controlada”. 

“Não tenho medo da viagem, continuo a achar que Portugal conseguiu gerir bem a situação, como aliás foi apontado por outros países como sendo um exemplo. Foram cometidos erros, como seria previsto tendo em conta a exigente situação que é, uma pandemia causada por um virús pouco conhecido, mas acredito que quem critica não faria melhor”, conclui. 

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