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Do coração do Douro para Inglaterra 

por Redação

05 de setembro de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Seis anos e oito meses. É há quanto tempo Rafaela Leguíssimo é emigrante. Natural de Ervedosa do Douro, em São João da Pesqueira, esta enfermeira de profissão, de 29 anos, deixou o nosso país pouco tempo depois de ter acabado o curso. 

“A razão que me levou a emigrar foi a baixa ou quase inexistente oferta de emprego, contudo seguia positiva e enviava currículos para várias instituições. Com o passar do tempo, não havia respostas positivas ou negativas e a esperança foi-se desvanecendo”, conta, acrescentando que enquanto procurava “uma oportunidade de emprego em Portugal, o Reino Unido enviou empresas de recrutamento” ao nosso país, tendo sido “contactada várias vezes para realizar entrevistas”. 

“Fui recusando porque me mantinha esperançosa de que iria encontrar algo em Portugal. Contudo, devido à insistência das empresas de recrutamento decidi aceitar ir a uma entrevista e foi nesse dia que a minha visão mudou. Compareci à entrevista e fui de imediato selecionada, o que me deixou sem reação, porque vi a oportunidade de exercer a profissão pela qual me apaixonei e que tanto queria exercer”, refere. 

Rafaela não esconde que não foi fácil “embarcar nessa aventura” da emigração. Deixou a minha família no coração do Douro, o namorado e os amigos e mudou-se “para um país desconhecido”, mas “com a garantia de um futuro melhor e mais estável”. “Algo em mim me dizia que iria valer a pena arriscar”, salienta. 

Atualmente, esta enfermeira trabalha nas urgências de um hospital em Londres. Já passou por outras áreas, como o internamento de medicina interna e até fez consultas de anestesia. 

Esta emigrante portuguesa garante que nunca se sentiu discrimina ou colocada de lado por estrangeira. Explica que a adaptação à nova realidade e ao país “foi gradual e bem acompanhada pelos colegas ingleses”, que “sempre estiveram disponíveis” para a ajudar nas “adversidades/dificuldades” que ia encontrando. 

“Gostei muito da forma como fui recebida pelo hospital e pelos profissionais de saúde. Fizeram sempre todos os possíveis para facilitar a minha adaptação. O que mais me incomoda são as condições meteorológicas, pela falta de luz solar e a agitação de viver numa cidade que nunca para”, adianta. 

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Para além do tempo, também não aprecia a gastronomia inglesa. “O que mais gosto é de haver igualdade de oportunidades, progressão na carreira, remuneração e condições de trabalho”, frisa. 

Por norma, Rafaela Leguíssimo visita Portugal a cada três ou seis meses. Apesar de estar fora do país há quase sete anos, sente que a emigração é uma coisa passageira. 

“O meu pensamento e o meu coração estão em Portugal e quero muito regressar”, confidencia, salientando que sente falta da família e dos amigos, mas também da comida, da sua terra natal e “das belas paisagens do Douro, assim como do tempo”. “Não há lugar melhor do que a nossa casa”, atira. 

Com a pandemia da Covid-19, esta enfermeira deixou de vir tantas vezes a Portugal. Revela que “custa imenso” não “poder ver e abraçar aqueles” que mais ama. 

O novo coronavírus deixou-a com um sentimento de “extrema tristeza” por agora estar mais longe dos seus, mas não só. “Em simultâneo também veio reforçar o sentimento de gratidão por ter um emprego e poder continuar a dar o melhor de mim a quem mais precisa”, vinca. 

No trabalho dá conta que foram introduzidas várias mudanças. A pandemia veio ainda desafiar a resiliência dos profissionais de saúde e mostrar que estes são “fortes e guerreiros”. 

“Não pensei em regressar a Portugal devido à Covid-19 porque assumi um compromisso perante o hospital e os meus colegas de profissão. Não iria no meio de uma pandemia abandonar aqueles que estão a contar comigo para juntos ultrapassarmos este tempo mais difícil”, conclui.  

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