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Nova Barragem de Fagilde é prioridade da empresa Águas da Região de Viseu

por Redação

02 de Julho de 2020, 18:33

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

A empresa intermunicipal Águas da Região de Viseu foi apresentada esta quinta-feira. Agrega cinco municípios e entre os vários investimentos está a construção da nova Barragem de Fagilde. Viseu, Mangualde, Nelas, Sátão e Penalva do Castelo foram os concelhos que se agregaram para criar a empresa que fica responsável pela captação, tratamento e reserva de água para consumo humano. Uma data “histórica”, assumiram os cinco autarcas que estiveram na apresentação que decorreu precisamente junto à atual Barragem de Fagilde que, Almeida Henriques, presidente da Câmara de Viseu, lembra que está com uma contagem de vida decrescente,

“Do ponto de vista do investimento, há em todos os municípios a expetativa de que venha a ser construída a nova barragem, assim como a ligação ao sistema de Balsemão, a construção e manutenção de reservatórios, assim como na Estação de Tratamentos de Água de Fagilde”, sublinhou Almeida Henriques, frisando que o focus desta empresa é a de produzir água e, quem sabe, no futuro “fornecer a outros municípios”.

A Águas da Região de Viseu resulta de um longo processo que começou em 2014 e passou por várias fases. “Era impossível que não se chegasse a um acordo. Este é o resultado de um processo e de equipas que lutaram por isto. Mas, o que fez a diferença foi a nossa vontade de não desistir, de outra forma as populações não nos iriam perdoar”, frisou, por seu lado, Elísio Oliveira. Uma percurso que tanto os autarcas do Sátão como de Nelas também salientaram.

A agregação dos municípios para a captação, tratamento e distribuição de água pública começou numa primeira etapa com a intenção da Câmara de Viseu em transformar os Serviços Municipalizados numa parceria privada, mas que foi chumbada pelo Tribunal de Contas. Mais tarde, o autarca de Viseu liderou um processo que envolvia a agregação de oito municípios que, depois de mais de um ano de negociações e aprovações, acabou por se dissolver. Um “casamento que estava já marcado”, como frisou Almeida Henriques, mas em que a “noiva ficou quase que sozinha no altar”.

As tarifas a aplicar ao consumidor final esteve na origem do “desentendimento” e o presidente de Penalva do Castelo, Francisco Carvalho, deixou isso bem patente na apresentação da nova empresa, congratulando-se por o impasse ter sido ultrapassado num projeto de desígnio regional. “Penalva do Castelo não podia ser tratado igual aos outros concelhos que têm um poder económico mais elevado”, disse.

Com a constituição desta empresa fazemos história, colocamos um ponto final num impasse de vários anos e damos um importante passo para, com a ajuda do poder central, resolver o problema de falta de água na Região de Viseu. Provamos que juntos seremos mais fortes e resilientes”, reforçou, também, Almeida Henriques.

Estamos hoje a unir esforços para precaver o presente e o futuro da Região com uma empresa com capitais 100% públicos e uma estratégia que assenta na construção de uma nova barragem e de uma conduta redundante de ligação ao sistema de Balsemão”, destacou ainda o autarca viseense, lembrando a seca severa que a região atravessou em 2017. Na altura, albufeira da barragem de Fagilde chegou aos sete por cento da capacidade, obrigando a transportar mais de 85 mil metros cúbicos de água potável, num dispêndio financeiro de mais de 860 mil euros. Já no ano de 2005 se tinha verificado um ano de seca excecional, tendo a barragem de Fagilde, em novembro desse ano, atingido mínimos de oito por cento.

 

Decisões tomadas por dupla maioria

 

A Águas da Região de Viseu, que vai servir uma população de 150 mil habitantes, vai ser presidida pelo município de Viseu, que é o concelho que também detém a maior parte do capital social. A empresa terá um capital social exclusivamente público de 4,5 milhões de euros  (500 mil euros em numerário e quatro milhões de euros de ativos), repartidos por Viseu (66,43%), Mangualde (14,24%), Nelas (9,81%), Sátão (6,58%) e Penalva do Castelo (2,94%) e permitirá aumentar a resiliência e fiabilidade do abastecimento de água nos cinco concelhos.

A gestão será partilhada, sendo o Conselho de Administração presidido pelo município de Viseu e as decisões tomadas por dupla maioria (80% do capital e a maioria dos municípios), nos diferentes órgãos.

Prevê-se um investimento de 73 milhões de euros, dos quais 45,7 milhões nos primeiros sete anos e os restantes 27,3 milhões de euros no período 2020 a 2050; estima-se cerca de 19,9 milhões de subsídios a fundo perdido (dos quais 10 milhões de euros relativos à nova Barragem de Fagilde); e 18 milhões de euros em empréstimos de médio e longo prazo, que serão adstritos para reforço de produção de água capaz de responder ao aumento dos consumos urbanos e resolução dos problemas associados à albufeira e barragem de Fagilde.

Dos investimentos previstos destaca-se a nova Barragem de Fagilde; a Barragem de Sanguinhedo das Maçãs; a nova conduta do Balsemão; a ampliação das cisternas, o novo sistema de tratamento de lamas e de ozonização da ETA de Fagilde; a substituição das adutoras da ETA de Fagilde ao Viso, a ampliação dos reservatórios do Viso, as intervenções nos subsistemas de Muna, Maeira e Vale de Fachas; em Nelas e Mangualde, a ampliação dos reservatórios de Tabosa e Serra de Santo António; em Nelas, a substituição de adutoras entre o cruzamento de Cantoneiros e RV Nelas e entre o N234 e RV Quinta da Cerca e beneficiação dos reservatórios de Nelas, Algeraz e Quinta da Cerca; em Mangualde, a construção de um novo reservatório e a substituição de grupos elevatórios; no Sátão, a reabilitação de reservatório.

“O preço de produção da água da nova empresa, mesmo com o investimento que se prevê, é manifestamente competitivo em relação a outros sistemas já existentes e há objetivos claros de redução dos atuais níveis médios de água não faturada (desperdícios), tornando o sistema mais eficiente e mais eficaz”, salientou Almeida Henriques, anunciado que a tarifa média, o valor que a empresa vai vender aos municípios, é de 51 cêntimos por metro cúbico.

A constituição da Águas da Região de Viseu permitirá uma atuação concertada dos cinco Municípios que mantêm a sua autonomia na distribuição aos consumidores finais, domésticos, empresas ou instituições, bem como nos regulamentos e tarifários a praticar.

Esta empresa tem como função produzir água e fazer com que chegue ao consumidor final”, sintetizou Almeida Henriques.

 

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