06 Ago
Viseu

S. Comba Dão

O martírio sangrento que deu o nome a Santa Comba Dão

por Redação

01 de Agosto de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Em Santa Comba Dão, a lenda leva-nos ao convento que existia nas margens do rio Om. Aqui, habitava meia centena de jovens freiras, virgens e consagradas ao Senhor. Uma jovem madre abadessa, de seu nome Comba, logo se tornou mártir e santa – Santa Comba.

Almançor era o nome do valoroso rei mouro que viveu na época em que os mouros conquistaram as terras dos Cristãos. Logo após a tomada de Coimbra, o rei mouro, juntamente com as suas hostes, aproximou-se do convento. As freiras, sabedoras desta péssima notícia, rezavam para aliviar o medo que sentiam.

No interior do templo a calma triste e sombria contrastava com o ruído da batalha e com o clima da morte vindo do exterior.

As irmãs, focadas nas suas preces, ouviram bater à porta com violência. A madre Comba pediu às irmãs que se mantivessem calmas e dentro do local do culto. Ao espreitar pelo postigo, confirmou o que mais temiam. Do outro lado da porta estava um jovem sarraceno.

Decidiu alimentar uma conversa de modo a ganhar tempo. No seu desenrolar descobriu que o rei Almançor ordenara o jovem Aben Abdallah que tomasse para si e para os seus homens (soldados) as freiras do convento que se situava nas margens do rio Om.

Sabendo o que as esperava, pediu-lhe que as matasse. No entanto, o homem não respondeu ao seu pedido uma vez que não pretendia destruir o que lhes viria a servir. Já impaciente, descobriu o rosto de Comba. Admirado com a sua beleza e juventude decidiu reserva-la para si e de zangado ameaçou que entraria à força no convento caso as conversas continuassem.

Percebendo que nada podia fazer para poupar as monjas deste destino cruel, a madre abadessa deixa passar o primeiro soldado de Aben Abdalah. Ao demonstrar o seu espanto pela juventude e beleza de muitas freiras, não demorou a escolher.

Comba chama a freira escolhida e beija-lhe a testa. A este sinal, a jovem sacou do hábito um punhal que espetou no coração. Ao observarem este ato, as monjas repetiram o seu gesto e tombaram inanimadas.

Aterrorizado e perplexo, o guerreiro fugiu e chamou pelo seu chefe. Aben Abdalah, ao olhar para a sangrenta cena, procurou pela sua escolhida, mas já não havia nada a fazer. Comba jazia nos braços das companheiras.

Ao saber da notícia, o rei Almançor não conteve a sua fúria e desdenhoso vociferou: “Porque não as mataram logo? Essas mulheres não sabem ser gente!”.

Os milagres do martírio de Comba permaneceram na memória do povo e no local do convento apareceu uma povoação que, para se diferenciar de Santa Comba do Alentejo, e visto que se situava nas margens do rio Om, passou a chamar-se Comba D’Om. Mais tarde, o nome evoluiu e transformou-se naquele que hoje conhecemos, Santa Comba Dão.


 

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts