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Saúde

Covid-19: enfermeiros contra vacinação aos políticos, falam em medida eleitoralista

por Redação

26 de janeiro de 2021, 15:26

Foto Arquivo Jornal do Centro

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A secção regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros está revoltada com a possibilidade de os políticos poderem ser vacinados contra a Covid-19 antes de todos os profissionais de enfermagem.

Os titulares de órgãos de soberania, deputados, funcionários da Assembleia da República e presidentes de câmara que atuam como responsáveis da Proteção Civil vão começar a ser vacinados na próxima semana.

A medida, decretada pelo Governo, preocupa e revolta o presidente da secção da Ordem, Ricardo Correia de Matos, que considera que os profissionais de saúde deveriam ser vacinados em primeiro lugar, assim como os idosos.

“É inadmissível vacinar políticos em vez dos profissionais de saúde que estão na linha da frente todos os dias a cuidar da nossa população. Os fornecedores não estão a garantir a quantidade de doses acordada em protocolo e espero que esta quantidade reduzida seja de facto utilizada nos nossos idosos que estão a residir em lares e a morrer todos os dias e nos profissionais que estão na linha da frente, nos hospitais”, afirma.

A Ordem dos Enfermeiros vai escrever uma carta ao Presidente da República por causa da medida. Ricardo Correia de Matos, que mantém a esperança de que ainda é possível emendar a situação, vai mais longe nas críticas ao Governo e fala mesmo de uma medida eleitoralista a pensar nas autárquicas deste ano.

“Esperamos que as pessoas tenham bom senso e tenham em conta o risco em prol dos interesses partidários. Não posso deixar de associar esta medida ao eleitoralismo das próximas autárquicas e vejo com muito receio que Portugal esteja a governar em plena pandemia para cativar votos”, atira o responsável da Ordem dos Enfermeiros do Centro.

“É uma mensagem profundamente revoltante para todos os enfermeiros, médicos e assistentes operacionais que estão todos os dias em serviços profundamente hostis a trabalhar, num país que se pretende evoluir”, remata o dirigente.

Além dos políticos, também a Provedora de Justiça, os membros do Conselho de Estado e a magistratura do Ministério Público vão começar a ser vacinados na próxima semana.

O primeiro-ministro, António Costa, terá já enviado cartas aos órgãos de soberania para que estabeleçam as prioridades em cada um dos setores, tendo ainda pedido ao presidente da Assembleia da República que estabeleça os deputados e funcionários do Parlamento prioritários para a vacinação.

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