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Saúde

Covid-19: Ordem dos Médicos fala em "caos" e pede encerramento das escolas

por Redação

19 de janeiro de 2021, 10:07

Foto Arquivo Jornal do Centro

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A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos pede às autoridades de saúde para que tomem “medidas mais restritivas e corajosas” neste novo confinamento decretado por causa da Covid-19.

Os médicos da região também exigem que os doentes com outras doenças “graves e prioritárias” não sejam discriminados nesta altura. A delegação realizou uma reunião de emergência para analisar a atual situação pandémica, face ao aumento dos casos e das mortes no país e na região Centro, onde os hospitais estão no limite das suas capacidades.

Segundo o presidente da secção da Ordem, Carlos Cortes, o número de casos no Centro não tem parado de aumentar desde o final do ano passado “e está neste momento com tendência de forte crescimento”. “No final de dezembro, a média dos casos rondava os 600 a 800 casos diários e, neste momento, estamos a atingir o patamar dos 2.000 casos diários”, refere.

O responsável diz que as medidas tomadas ultimamente para este novo confinamento têm sido “tímidas” e “completamente desproporcionadas face à falência das instituições de saúde e ao caos que, pouco a pouco, se está a instalar”.

“Em março, iniciámos o confinamento com três centenas de casos de infeção e duas mortes. Esta semana estivemos sistematicamente acima dos 10.000 casos e à volta de 150 mortes diárias. Os serviços de internamento Covid-19 dos hospitais, apesar de estarem a ocupar as camas de outros serviços, estão sem capacidade, assim como os Serviços de Medicina Intensiva que estão no limiar da rotura”, alerta Carlos Cortes, reiterando que a situação é dramática.

Além de medidas mais rígidas de confinamento, a Ordem dos Médicos do Centro apelou à Administração Regional de Saúde (ARSC) para o encerramento imediato das escolas em todos os níveis de ensino “para evitar a circulação e ajuntamento não só dos alunos mas também dos encarregados de educação”.

A Ordem quer também maior intervenção das autoridades “em locais públicos para controlar a correta aplicação das medidas de prevenção e confinamento” e um acesso massivo aos exames de diagnóstico Covid, bem como a utilização correta dos testes rápidos de antigénio, a aceleração da vacinação para as pessoas mais expostas e frágeis, e a mobilização dos recursos humanos para “auxiliar na gestão e nos cuidados de saúde aos doentes Covid, libertando médicos para tarefas clínicas de maior complexidade e gravidade”.

Os médicos alertaram ainda a ARSC para a necessidade de se uniformizar as “medidas de intervenção, por parte das unidades de saúde pública e nos cuidados de saúde na comunidade, junto das instituições escolares, para evitar a adoção de medidas diferentes para situações idênticas”. Também apelam à utilização de “toda a capacidade instalada de saúde pública, privada, social e militar”.

“A situação é gravíssima e, em simultâneo, estamos a fazer um confinamento de pacotilha, pois apenas 40 por cento dos habitantes estão no domicílio. Estamos atualmente a enfrentar uma medicina de catástrofe. Estamos perante uma situação de catástrofe em que o sistema de saúde já não consegue responder eficazmente. Se as autoridades não reagirem rapidamente estaremos perante um drama nacional”, conclui Carlos Cortes.

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