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Saúde

Vacina da gripe esgotada em Castro Daire. Há mais concelhos na mesma situação

por Redação

12 de novembro de 2020, 15:23

Foto Arquivo Jornal do Centro

ACES diz que falha de vacinas se deve a "má programação local". ARS diz que vacinas chegam no fim do mês 

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Há vários dias que as pessoas com ou mais de 65 anos estão sem acesso às vacinas contra a gripe no concelho de Castro Daire.

A Câmara Municipal, em conjunto com o Centro de Saúde local, tinha uma carrinha que se deslocava às freguesias para que os utentes pudessem ser vacinados. A unidade móvel está parada desde que acabaram as vacinas.

O presidente da Câmara de Castro Daire já pediu uma reunião ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Dão Lafões.

"A informação que nos vai chegando é que vai haver mais vacinas. Neste momento, não temos essa confirmação. Tenho uma reunião pedida ao ACES Dão Lafões para aprofundarmos esta questão. Paralelamente, e porque percebemos que este ano a vacinação ia ser um problema, estabelecemos um protocolo com a Associação Dignitude no sentido de os nossos munícipes com mais de 65 anos puderem ir às farmácias tomar a vacina, mas também aí a disponibilidade não tem sido muito grande", lamenta Paulo Almeida. 

O autarca lembra que em tempos de pandemia é necessário "trabalhar em várias frentes".

"Se através da vacinação contra a gripe sazonal, conseguimos evitar que mais pessoas se dirijam e se concentrem em unidades de saúde, estamos a evitar o contágio da Covid-19. O que é certo é que se não houver vacinas não conseguimos cimentar este processo", sublinha.

Paulo Almeida diz estar "na expectativa de que o centro de saúde volte a receber vacinas para que a unidade de saúde móvel volte a percorrer as aldeias que faltam do concelho e ministrar a vacinação".

 

ACES diz que falha de vacinas se deve a "má programação local"

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Dão Lafões continua a dizer que "não há falta de vacinas"

"Se os centros de saúde programaram sem ter adequado as cargas de vacinas que iam ser administradas foi má programação a nível local. A indicação era a de convocar os utentes à medida das existências de cada uma das entregas", começa por explicar o diretor do ACES Dão Lafões.

António Cabrita Grade sublinha que as vacinas vão chegando conforme a programação, "isto para evitar o que aconteceu nos primeiros dias, em que as pessoas acharam que tinham que ser logo todas vacinadas. As pessoas vão ser vacinadas de forma gradual", reforça.

 

Declarações que não são consonantes com o que os centros de saúde contactados pelo Jornal do Centro informaram. Das unidades de saúde que responderam ao contacto, sem vacinas estão já: Vouzela, São Pedro do Sul, Oliveira de Frades, Mangualde, Santa Comba Dão, São João da Pesqueira e Carregal do Sal.

Um dos coordenadores de um dos centros de saúde rejeita a ideia defendida pelo diretor do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Dão Lafões, dando como exemplo: em 2019 receberam 1200 vacinas. Este ano, "sabendo que mais pessoas iriam querer proceder à toma, pedimos 1500. Chegaram-nos perto de 900".

Os centros de saúde de Tondela e de Tarouca ainda têm vacinas para administrar aos seus utentes e ao Jornal do Centro adiantaram nunca ter esgotado desde que começou a campanha de vacinação.

 

ARS diz que vacinas chegam no fim do mês 

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro diz , por seu lado, que “está a aguardar a entrega de mais 44.667 vacinas na primeira semana de dezembro para prosseguir o calendário normal de vacinação contra a gripe que se estende até final do ano”. A ordem, agora, é desmarcar e remarcar as administrações agendadas, "sublinhando-se que para se obter imunidade de grupo o desejável é vacinar os cidadãos até final de dezembro".

A ARS Centro adianta, ainda, que na região Centro, desde o início da época da vacinação até ao momento, foram administradas 176.293 vacinas contra a gripe sazonal nos centros de saúde, incluindo lares e profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

Na semana entre 19 e 25 de outubro foi administrado o maior número de vacinas (67 446), representando 38,3% do total. Os utentes com 65 e mais anos são os mais vacinados, com 145 035 vacinas administradas nos centros de saúde.

A ARSC informa ainda que em 2019 adquiriu um total de 236.200 vacinas e para este ano 328.472, das quais 41.799 se destinaram às farmácias comunitárias, mediante protocolo nacional.

 

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