08 Jul
Viseu

Cultura

Seis autores, seis maneiras diferentes de ver a arte pública em Viseu

por Redação

27 de Junho de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

 

 

O livro ” Neo-topografia Gráfica e Descritiva de Monumentos e Memoriais Viseenses”, que conta com textos de Rui Mácario Ribeiro, Luís Belo (fotografias), Jorge Sobrado, Laura Castro, José Guilherme Abreu, José Cirillo, Ruben Marques, é um projeto artístico, mas também de arquivo e de memória. Nesta publicação, que está disponível online, pode-se descobrir as estátuas, os bustos, as composições escultóricas, os marcos e os padrões e os medalhões e epígrafes espalhados pela cidade de Viseu.

“A uma perspetiva académica e pedagógica, juntou-se esta ideia de uma neo-topografia”, começa por explicar Rui Macário, um dos promotores do livro e responsável pelo projeto Património ao qual esta publicação está ligada. “Quando este projecto foi definido, em finais de 2018, consistia em algo relativamente simples, inspirado no processo da denominada “Escola de Dusseldorf de Fotografia”, liderada pelo casal Bernd e Milla Beecher, que era realizar um levantamento gráfico e uma leitura sustentada de uma selecção alargada dos elementos que possam ser considerados monumentos ou memoriais existentes em Viseu”, acrescenta. Sempre com o princípio de que “erigimos monumentos para que, para sempre, recordemos; e construímos memoriais para que nunca esqueçamos”.

Rui Macário lembra que não existia um trabalho do género que estivesse sistematizado. “O trabalho realizado e as visões apresentadas são igualmente as de quem dedica a sua carreira profissional, a sua experiência e empenho, à análise do que é afinal arte pública. São linhas de leitura quanto a esse mistério impositivo que é o espaço público e o modo como se vai ocupando e vivenciando”, salienta.

Há várias camadas de leitura e de interpretação, mas há um levantamento da arte pública circunscrita à circunvalação. Na parte dedicada à estatuária, por exemplo, encontram-se imagens da estátua de D. António Alves Martins, do monumento Aos Mortos da Grande Guerra, mas também aquela que é conhecida como a estátua de homenagem às mães e que tem como nome “O Melhor Sono da Nossa Vida”, Viriato também aqui está, assim como Francisco Sá Carneiro ou D. Afonso Henriques, uma representação de 2014.

Já na secção dedicada aos bustos, está Almeida Moreira, Eugénia Mendes Viseu ou João de Barros, assim como Frei Rodrigo de Jesus que, por vezes, até passa despercebido na Praça de Goa.

Mas o livro faz ainda um levantamento das composições escultóricas, muitas delas colocadas nas várias rotundas que limitam a circunvalação. Depois, há os marcos e padrões espalhados, por exemplo, pela Praça Tenente Miguel Ponçes, pelo Parque Aquilino Ribeiro ou Adro da Sé.

Há ainda um capítulo dedicado aos medalhões e epígrafes como os que se encontram na rua Augusto Hilário e que é uma homenagem ao fadista.

No fundo, esta publicação, além de ser o olhar de quem a interpreta, funciona também como um manual pedagógico que até proporciona recortes para quem quiser montar uma das estátuas e pranchas dos 56 elementos de arte pública.

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