09 Ago
Viseu

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A loja de brinquedos “de última geração” da Rua Direita

por Redação

11 de Julho de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Já foi a loja de "última geração" dos brinquedos para os mais novos. Hoje, o Bazar Litos, na Rua Direita, guarda memórias e desejos. Uma viagem pelo comércio tradicional de Viseu. As histórias que há para contar, as recordações e o futuro. Uma montra para conhecer no Jornal do Centro

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Já passaram 30 anos desde que Maria Carvalho inaugurou o Bazar Litos. A 5 de dezembro de 1990, a famosa Rua Direita ganhou uma loja de brinquedos que, na altura, “era a única e de última geração”

 

Maria Carvalho, lojista de longa data, relembra os bons dias do centro da cidade de Viriato, principalmente os típicos meses de verão. “A Rua Direita era de muita passagem, de muitas pessoas, de muitos comerciantes. Ao contrário do que se vê hoje, a rua estava completa e cheia de movimento”.

Por volta da década de 90, o gosto pelo ramo dos brinquedos fez despertar o desejo de abrir um espaço que ilustrasse “o mundo dos mais pequenos”. Com uma loja cheia de brinquedos para todos os gostos, a comerciante recorda o célebre cavalinho de madeira, um brinquedo de há 40 anos. “É um brinquedo em madeira, com muita mão-de-obra. Já temos poucos desse género porque hoje as crianças já não querem essas coisas. Como costumo dizer, só querem computadores e telemóveis.” Além disso, “é difícil de os adquirir por ser um brinquedo que fica muito caro e que pode não ser vendido pelo seu devido valor”.

Com o coração no que é tradicional, Maria Carvalho faz questão de manter alguns jogos mais antigos na loja que ainda gere. “Ainda tenho o jogo da pesca que já existe há muitos anos, o bingo, dominó, uma pequena mesa de snooker. São coisas que ainda são muito procuradas”. A lojista aprecia a essência dos jogos de tabuleiro, capaz de reavivar “a criança que há dentro de cada um de nós e voltar aos tempos de infância”. “O dominó, as damas, o pião, o berlinde, o mikado, são jogos muito antigos. É preciso lembrar aquilo que era saudável para as crianças e o que as fazia rir de verdade”.

Nos dias de hoje, a procura prende-se com antiguidades e peças que relembram o passado. “No geral, noto que há muita procura de bonecas, aquelas que choram, que falam, essas coisas que as crianças adoram. Mas também vendo algumas bonecas em pano que, mesmo não fazendo nada, são de uma perfeição incalculável”. De acordo com Maria Carvalho, as bonecas em pano são feitas à mão, com tecidos escolhidos ao pormenor e que combinam aquilo que é “típico com uma beleza diferente das bonecas de plástico”.

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Entre as prateleiras, o Bazar Litos também contempla diversas zonas do país com bonecas ilustrativas que “mostram a vida dessas terras”. “Temos da Nazaré, do Minho, de alguns ranchos e da nossa zona, temos as do Caramulo. Têm muitos pormenores e detalhes nas roupas, até conseguimos ver alguns costumes”.

Ainda com o pensamento no passado, Maria Carvalho volta a visualizar aquele espaço com seis ou mais funcionários, principalmente na altura do verão e do Natal. “Atualmente, com tão poucas pessoas a passar por aqui, não se justifica ter funcionários. Hoje, sou só eu”, desabafa. A comerciante considera que as grandes superfícies transportaram o movimento habitual das ruas de Viseu para as periferias. Ao longo dos anos, a imagem de “crianças a olharem pela montra” foi desparecendo.

Com a chegada da pandemia, o pouco movimento que dava vida à artéria histórica de Viseu foi desvanecendo pelo “receio de andar nas ruas”. Fechado durante dois meses, o Bazar Litos voltou a reabrir portas com todas as normas de segurança e a “esperança de que as coisas melhorem”. Para a comerciante, é certo que “a nossa Rua Direita vai conseguir ficar às direitas”.

Com o olhar otimista, faz uma aposta vincada nos emigrantes. “Como não há Feira de São Mateus, acho que os emigrantes vão andar mais para o centro da cidade. Embora também procurem muito as grandes superfícies”. Apesar do cancelamento da edição de 2020, Maria Carvalho confessa que não é adepta da data de início da Feira de São Mateus, em anos anteriores. “Para o bem dos comerciantes e da cidade, a abertura deveria ser mais tardia, lá para o 15 de agosto”, desabafa. Por outro lado, a lojista reconhece que “a Câmara procura ajudar e fazer eventos centrados no centro histórico. Às vezes não é bem aquilo que nos vem ajudar, mas a intenção é boa”, remata.

O positivismo da lojista enche o Bazar Litos e viaja pelas lojas vizinhas. “Penso que quando a Covid for embora, vamos todos ficar cheios de vontade de trabalhar, de fazer com que a rua vá para a frente”, promete.

Maria Carvalho sublinha a sua fé pela juventude para “ajudar os menos jovens”, que só poderá resultar num “futuro risonho e não triste”.

 

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