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Covid-19: Câmara de Viseu testa funcionários com amostras de saliva

por Redação

05 de fevereiro de 2021, 18:02

Foto D.R.

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A Câmara de Viseu está a testar os seus funcionários recorrendo a uma tecnologia criada pela Universidade Católica para a deteção de casos de Covid-19.

Os testes são feitos com base numa metodologia inovadora, desenvolvida no ano passado pelo laboratório de investigação SalivaTec, para a deteção do novo coronavírus em amostras de salivano.

A primeira recolha de amostras decorreu esta sexta-feira (5 de fevereiro), envolvendo 100 trabalhadores dos Bombeiros Sapadores, dos Espaços Verdes, das Obras, da Limpeza Urbana e dos serviços municipalizados de água e saneamento, áreas que são de “maior exposição e risco” ao contágio pela Covid-19.

Em comunicado, a autarquia explica que, além de ser diferenciador face aos testes disponíveis no mercado, já que utiliza a saliva como um meio de rastreio não-invasivo, o método desenvolvido pelo laboratório da Católica “recorre a uma estratégia inovadora, adequada para a testagem ampla de populações”.

Em caso de haver “resultados conclusivos e fiáveis”, este método de rastreio poderá contribuir “para a rápida identificação de possíveis focos de contágio em empresas e instituições, especialmente escolas, lares de idosos, associações desportivas, órgãos de gestão e de proteção civil, entre outras”.

O procedimento é simples. Em primeiro lugar, foi realizada uma recolha de amostras de saliva de 20 pessoas que foram agrupadas, constituindo uma única amostra (“pool”), seguindo-se da realização de um teste de rt-PCR por cada “pool”.

Depois de conhecidos os resultados da primeira recolha de amostras, o rastreio deverá ser alargado a todo o universo laboral da Câmara de Viseu.

“Entendemos que, no combate à COVID-19, devemos utilizar todos as armas ao nosso dispor. A tecnologia desenvolvida em Viseu, no seio do CIIS – Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde da Universidade Católica, permite a massificação rápida do rastreio, com uma brutal redução de custos”, explica o presidente da autarquia, Almeida Henriques.

A Câmara acrescenta, no comunicado, que a metodologia utilizada pela Universidade Católica apresenta várias vantagens, como o facto de a saliva permitir “uma melhor aceitação especialmente por crianças, idosos ou grupos vulneráveis” e o método ser “muito mais sensível” para a deteção do vírus do que os testes rápidos de antigénios, sendo equivalente aos testes por zaragatoa e mostrando níveis de concordância acima dos 95 por cento. A mesma amostra de saliva pode também ser testada para detetar qual a estirpe presente nos casos positivos.

Este rastreio também permite “uma redução considerável dos custos, quando comparado com os testes de PCR convencionais”. Com os “pools” de amostras de saliva, a testagem para 1.000 pessoas custaria cerca de 750 euros, segundo as contas da Câmara.

Adicionalmente, a nova estratégia origina também “uma redução relevante do impacto ambiental, uma vez que diminui substancialmente o número de testes de PCR necessários para rastrear o mesmo número de indivíduos, reduz o número de equipamentos de proteção individual e ainda os recursos humanos associados à realização dos testes, o que é, frequentemente, um fator limitador no número de testes realizados e na rapidez com que são conhecidos os resultados”.

Almeida Henriques diz que Viseu assume-se como “laboratório para uma tecnologia inovadora” e considera que a investigação científica “deve ser colocada ao serviço da comunidade” nesta altura de pandemia.

“Felizmente, já temos em Viseu excelentes laboratórios e investigadores. Se existe uma hipótese de conseguirmos um trunfo no combate a este vírus, não a podemos desperdiçar”, acrescenta o autarca.

Já Marlene Barros, diretora do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde da Católica e responsável científica pelo laboratório SalivaTec, reconhece que a atual pandemia funcionou “como um acelerador da investigação e sua rápida transferência, resultando em soluções que ajudam a combater esta pandemia e com toda a certeza melhor nos preparam para fazer face a outras”.

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