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Ourivesaria Domingos: “o ourives era aquela pessoa honesta”

por Redação

05 de Agosto de 2020, 18:51

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Esta semana, a Ourivesaria Domingos foi palco da rubrica “Histórias da Rua Direita”, do Jornal do Centro. Esta casa conta com 66 anos de história na cidade de Viriato.

Henrique Domingos, atual proprietário da Ourivesaria Domingos conta tanto as suas experiências na loja, como na Rua Direita, aquela que era o ponto de paragem obrigatória na rota de turismo na região de Viseu. De manhã à noite eram muitos os carros e as pessoas que por lá passavam.

“Brincávamos ali na rua, mesmo com milhares de pessoas a passar, tanto os filhos dos lojistas, como os filhos das pessoas que aqui moravam", lembra Henrique Domingos.

Foi a setembro de 1954 a inauguração da Ourivesaria Domingos, acabando por ser conhecida por ter ouro exposto nas vitrinas de madeira.  “Eram postas às nove da manhã, quando o estabelecimento abria, pelo meu pai, e eram retiradas ao final do dia e ninguém mexia”, relembra Henrique.

Antigamente, o ouro era o material que as pessoas mais procuravam e viam como sinal de respeito, destaca Henrique Domingos, “o ouro era visto como grande investimento, as pessoas guardavam o ouro na situação de hoje para amanhã terem algum problema, mas hoje já não é tanto assim".

Neste sentido, era no ourives que as pessoas confiavam para gerir o dinheiro.

Henrique confessa que tinha um leque de clientes alargado e que muitas das vezes pediam a sua opinião e ajuda. “O ourives era aquela pessoa como gestor do dinheiro, quando tinham algum dinheiro disponível vinham comprar ouro e o ourives era aquela pessoa honesta. Era a pessoa que tinha alguma posição social, até pelos valores envolvidos e dava bons conselhos".

Nos dias de hoje, o comércio na Rua Direita não atinge as mesmas proporções como há 50 anos. Mas é visível a esperança no rosto dos lojistas, de que um dia a rua volte a ganhar vida e se volte a encher de pessoas.

“Temos que ter essa motivação e felicidade, porque no dia que não tivermos vai ser complicado e é isso que nos leva a estarmos aqui, a lutar, às vezes com as adversidades com que nos deparamos no dia a dia, porque esta rua vai voltar. Não digo que vai voltar àquilo que era há 50 anos, mas há-de voltar a ter muito movimento. As lojas a estarem cheias e a ver as pessoas a virem à Rua Direita para verem outros artigos", diz, esperançoso, Henrique.

É na Ourivesaria Domingos que Henrique passa a maior parte do tempo da sua vida e continua a ter o mesmo gosto, desde o primeiro dia em que lá entrou. “Neste momento, provavelmente, é o sítio em que eu passei mais anos da minha vida", revela.

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