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Programa solidário de Viseu ajudou 805 famílias

por Redação

30 de Junho de 2020, 15:08

Foto Arquivo Jornal do Centro

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O programa Viseu Ajuda, criado pela Câmara para ajudar os munícipes em altura de pandemia, recebeu 2.737 chamadas desde que foi criado e ajudou mais de 800 famílias, muitas delas de nacionalidade brasileira. O balanço foi feito esta terça-feira (30 de junho) pela autarquia.

Os serviços registaram 1.449 ocorrências, entre 23 de março e 22 de junho, das quais 1.126 tiveram luz verde, justificando o apoio social. Ao todo, foram ajudadas 805 famílias.

No balanço, o vereador da autarquia, Jorge Sobrado, admite que muitos destes agregados tiveram de ser apoiados mais do que uma vez. “Sessenta e três por cento das famílias beneficiadas são de nacionalidade portuguesa. 228 delas tiveram uma segunda ocorrência e 62 vão, para já, para a terceira ocorrência válida, o que quer dizer que há centenas de casos que poderão ser de vulnerabilidade estrutural, continuada, e que se irá perdurar ao longo do tempo”, diz.

Um terço das famílias apoiadas pelo projeto é de nacionalidade brasileira. Uma comunidade que, diz Jorge Sobrado, não só “tem uma presença muito forte” em Viseu, como também está “especialmente desprotegida”.

Segundo o vereador, muitos dos brasileiros residentes em Viseu foram apanhados no meio da pandemia “em situações de ilegalidade”. Jorge Sobrado critica o Estado por não atuar em prol desta comunidade imigrante.

“Eles são pessoas, têm nome, moram em ruas e têm filhos, idade e problemas, mas não existem porque não tinham o processo aberto e inscrito no SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras], o que não lhes permitiu ter o número de beneficiário da Segurança Social e que representou uma espécie de impossibilidade de atuação. Neste caso, caberia ao Estado fazer uma intervenção de apoio. Se estava vedada ao Estado, não pode estar vedada ao poder local. Daí, a linha teve de atuar”, explica.

Já o presidente da Câmara, Almeida Henriques, está preocupado com o futuro e deixa um alerta: a situação social das famílias viseenses vai piorar ainda mais a partir de setembro.

“Estou convicto de que o embate social mais crítico vem aí, não é agora. Foi muito importante este trabalho de proximidade, mas o trabalho mais estruturado vai ser a partir de setembro e outubro, porque há famílias que estão a perder rendimento e vão continuar a perder. Há empregos que se vão perder e empresas que vão fechar”, receia.

O autarca admite ainda deixar cair alguma obra para não deixar de apoiar quem precisa no concelho. Para Almeida Henriques, o apoio social e o controlo da pandemia do novo coronavírus são agora os principais focos da Câmara de Viseu.

O Viseu Ajuda vai, agora, ser estendido até ao final do ano. 

A Câmara não ajudou nenhum munícipe em apenas três freguesias: Côta, Santos Evos e Cavernães.

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