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Autárquicas 2021: há concelhos que jogam o "tudo ou nada"

por Redação

17 de outubro de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Em Resende, há três anos, o PS manteve-se na câmara local, com um novo protagonista. Garcez Trindade sucedeu a António Borges num município considerado “bastião” dos socialistas. Mas, a votação final deixou “pontas soltas” e o que durante mandatos foi uma certeza, para as próximas eleições levanta-se uma incógnita.

Há autarquias no distrito de Viseu onde se joga o “tudo ou nada” para 2021. Municípios onde PS e PSD estão “taco a taco” e onde as estratégias e táticas podem ditar as mudanças. A um ano das eleições autárquicas, e num contexto de plena pandemia provocada pela covid-19, a política partidária já está no terreno.

Voltando ao caso de Resende, há três anos o PS ganhou com 47,42 por cento dos votos, enquanto que o PSD obteve 42,02. Uma margem ainda razoável, mas que pode ser abalada se, por exemplo, o PSD decidir ir coligado com o CDS que em 2017 teve 6,73 por cento da votação. Os socialistas têm aqui um problema ainda maior, uma vez que internamente nem tudo “vai bem no reinado”. A gota de água aconteceu em fevereiro com as eleições para a Concelhia. Na corrida à liderança estava Jorge Caetano (que venceu) e António Silvano, atual chefe de gabinete do presidente da Câmara, e que durante a campanha mostrou o apoio para a recandidatura de Garcez Trindade nas autárquicas de 2021. Já o líder da concelhia diz que ainda é cedo para se pronunciar sobre candidaturas.

Ainda a norte do distrito. Os olhos não deixam de estar postos em Lamego. É o primeiro mandato de Ângelo Moura (PS) que ganhou com alguma folga (37,93 %, enquanto que o PSD teve 26,99%, mas a coligação CDS/PPM atingiu 24,97). No executivo e na Assembleia Municipal, os socialistas não têm a vida facilitada e muitas das vezes o próprio presidente é levado a ter de usar o seu direito de voto para que algumas matérias sejam aprovadas. Agora, a estabilidade que o autarca tem pedido na governação pode estar ameaçada com o nome do anterior presidente da Câmara, Francisco Lopes (PSD), a quem já é apontado um regresso.

De norte para o sul do distrito, há cenários que se colocam também em Mortágua e o atual presidente da Câmara, Júlio Norte (eleito pelo PSD), ainda não desfez o tabu se concorre ou não a mais um mandato. O autarca ainda pode ir para o terceiro e já foi eleito quer pelo PS, quer pelo PSD. Os socialistas apostam em Ricardo Pardal que nas últimas eleições obteve 45,50 por cento dos votos. A diferença, em termos nominais, foi apenas de 129 votos.

E no cenário das autárquicas para 2021, há três atuais presidentes de câmara do distrito de Viseu que não se podem recandidatar.

São eles José Eduardo Ferreira, de Moimenta da Beira, José Morgado, de Vila Nova de Paiva, ambos socialistas, e Carlos Esteves (PSD), em Penedono. Os autarcas atingem os três mandatos, impostos pela lei, e vão ter de deixar sucessor para não perderem a autarquia para a oposição. Em Moimenta da Beira, a escolha do PS recai sobre Alcides Sarmento, que é o atual diretor do Agrupamento de Escolas. Fala-se também na elaboração de uma lista de independentes com “insatisfeitos” socialistas. Já o PSD, que recentemente elegeu João Pedro Jesus para a Concelhia, não coloca de parte a hipótese de avançar juntamente com o CDS em coligação, confiante que recupera o concelho ao PS.

E é também com este objetivo que em Vila Nova de Paiva os sociais-democratas já estão a trabalhar, embora ainda não exista consenso sobre quem pode ser o candidato. Certo é que José Morgado não se pode recandidatar e por parte dos socialistas é preciso “todos os cuidados” para que o candidato seja “a aposta ganha”.

Em Penedono, Carlos Esteves tem tido alguma contestação interna, mas também não se vislumbra, por enquanto, uma “jogada” por parte da oposição.

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