01 nov
Viseu

Região

Bloco quer saber para quando o fim das portagens na A25 e A24

por Redação

25 de setembro de 2020, 15:53

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo e a Comissão Europeia sobre as portagens nas antigas autoestradas SCUT, como a A24 e a A25, que servem o distrito de Viseu, e defende a sua abolição.

As perguntas foram feitas pelo partido junto da Comissão Europeia, por iniciativa dos eurodeputados Marisa Matias e José Gusmão, e do Governo, por iniciativa da deputada Isabel Pires, que questionou a ministra da Coesão Territorial sobre o adiamento dos descontos nas portagens das vias, que só deverá entrar em vigor em 2021.

O BE lamenta o adiamento dos descontos que, considera o partido, “não seriam a resolução dos problema causados, sendo que estas portagens são autênticos impostos para uma população que não tem estradas alternativas para a deslocação entre o território e em muitos casos de casa para o trabalho”.

Os bloquistas falam destes atrasos como “um erro” para com as populações e diz que o Ministério da Coesão Territorial “deve indicar quais os fundamentos para o adiamento de uma medida fundamental para a recuperação económica do interior e para as famílias que vivem e viajam entre os concelhos do interior do país”. O partido insiste que a abolição das portagens é uma “forma de justiça e coesão territorial”.

Além de ter exigido saber as razões sobre o adiamento da aplicação da medida, Isabel Pires questionou o Governo sobre se não está a ponderar discriminar zonas da A25 e da A23, se não está disponível para “definir um plano para repor a gratuitidade das vias do interior” e se o beneficiário do novo modelo de descontos será apenas o transporte de mercadorias ou também o transporte ligeiro e de passageiros.

Já no Parlamento Europeu, Marisa Matias e José Gusmão questionaram a Comissão Europeia se tem medidas a tomar para pressionar Portugal à não-cobrança das portagens. O Bloco lembra que, em 2012, a Comissão ameaçou levar o Estado português a Tribunal devido às portagens nas ex-SCUT, mas sem sucesso.

O BE considera, ainda, inaceitável “o desinteresse e abandono desta região” e fala de “uma injustiça que prejudica a resiliência da região na resposta ao período de crise económica que o país enfrenta”.

Segundo o novo modelo dos descontos, as reduções de preço não serão iguais em todas as autoestradas ex-SCUT. O Ministério das Finanças está a avaliar o impacto da medida, tendo em conta a crise provocada pela pandemia da Covid-19. A implementação dos descontos poderá custar mais de 100 milhões de euros para o Estado.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, tinha anunciado que os descontos entrariam em vigor no terceiro trimestre deste ano. A governante também revelou, em entrevista ao Jornal do Centro, que os utentes passariam a ter descontos automáticos na A25, A24 e A23 e que as famílias não precisariam de se inscrever para terem acesso.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts