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Autarca de Castro Daire justifica cerco sanitário por se desconhecer origem do contágio

por Redação

09 de Abril de 2020, 18:17

Foto Arquivo Jornal do Centro

Paulo Almeida queixa-se de "trabalho inglório"

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O presidente da Câmara de Castro Daire, Paulo Almeida, diz que pediu o cerco sanitário no concelho porque considera que está provado que existe uma transmissão comunitária ativa e que ainda se aguardam os resultados de 160 testes, numa altura em que já há 64 pessoas infetadas pela Covid-19.

“Significa que, com certeza, o número de casos vai aumentar, mas acima de tudo, o facto de haver casos que, neste momento, não se consegue perceber de onde veio a origem. Por isso, nós estamos na fase de transmissão comunitária ativa, o que é preocupante e faz com que as medidas restritivas se imponham”, afirma.

Em declarações aos jornalistas esta quinta-feira (9 de abril), o autarca diz que, para já, ainda não foi tomada nenhuma decisão relativa ao cerco sanitário no concelho. “É uma decisão que não está da minha alçada, pelo que temos de aguardar orientações superiores”, sublinha.

O presidente da Câmara refere ainda que, caso o cerco se confirme, podem haver medidas como o encerramento de empresas e estabelecimentos. “É evidente que a propagação se faz pelo contacto social. Se nós não conseguirmos conter a mobilidade das pessoas, é muito difícil evitarmos os contactos”, refere.

O responsável lembra ainda que a autarquia castrense tem exigido quarentena obrigatória para todos os que viessem de fora ao concelho e realizado campanhas de sensibilização para que as pessoas fiquem em casa. Esforços que, assume, têm sido um “trabalho inglório”.

Paulo Almeida diz que tem havido ultimamente “dias normais” de movimentação em Castro Daire. Um facto que, considera, tem de ser combatido “de forma a não alastrar mais a situação que temos” e também com decisões tomadas rapidamente.

Paulo Almeida apela ainda às autoridades centrais para que olhem para Castro Daire “com os olhos devidos, porque estamos a precisar de toda a ajuda para conter este problema”.

Face a esta situação, que terá de ser avaliada pela ministra da Saúde, o coordenador regional do combate à Covid-19 na zona Centro, o viseense João Paulo Rebelo, considera que o cerco sanitário em Castro Daire pode não ser a melhor solução nesta altura para o concelho. Ainda assim, confirma que esta hipótese está mesmo em cima da mesa.

Já o provedor da Misericórdia de Castro Daire (onde há 12 casos confirmados), Rui Samora, queixa-se da falta de equipamento de proteção individual e do atraso no resultado dos testes ao novo coronavírus. O responsável diz que estavam em cima da mesa vários cenários, entre eles a deslocação dos utentes.

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