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Coronavírus: Misericórdia de Castro Daire lamenta atraso nos resultados

por Redação

09 de Abril de 2020, 12:36

Foto Arquivo Jornal do Centro

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A Santa Casa da Misericórdia de Castro Daire tem 12 casos confirmados da Covid-19. O seu provedor queixa-se da falta de equipamento de proteção individual e do atraso no resultado dos testes ao novo coronavírus.

Ao Jornal do Centro, Rui Samora diz que a instituição aguarda por mais análises.

“Estamos aqui numa angústia à espera de resultados, que demoram muito tempo a chegar. Foram feitos testes a dois lares, um tem 46 utentes e outro tem 28. Só tenho resultados de 10 utentes. Temos um outro lar onde estamos à espera do resultado de um senhor que acabou por falecer. Na unidade de cuidados continuados, temos uma colaboradora que deu positivo e as pessoas com quem contactou também fizeram o teste”, explica.

A Misericórdia de Castro Daire tem mais de 150 utentes e emprega quase 200 funcionários. De acordo com os resultados, o provedor tem várias soluções a ponderar.

“Neste momento, não estamos a tomar decisões porque há vários cenários para serem avaliados. Mas tudo é possível, desde a evacuação dos edifícios para desinfeção até à permanência dos utentes num edifício que também está previsto. Há muitas decisões que não conseguimos tomar sem os resultados”, remata Rui Samora.

 

O balanço da autarquia

A Câmara de Castro Daire avançou, na última noite de quarta-feira (8 de abril), que foram confirmados mais 14 casos positivos da Covid-19 no concelho, levando a um total de 64 pessoas infetadas.

Segundo aponta a autarquia numa nota publicada nas redes sociais, a grande maioria dos casos diz respeito a instituições e lares locais.

No Lar de S. Joaninho, onde se vive a situação mais preocupante, há 38 infetados pelo novo coronavírus. Também nesse lar, já há registo de uma pessoa recuperada. No Lar S. João de Deus, na localidade de Mosteiro, 10 utentes encontram-se infetados.

No Lar Padre Sebastião Vieira e na Unidade de Cuidados Continuados, há o registo de um caso cada. Fora destas instituições, há 14 casos confirmados na comunidade castrense.

 

Falta de respeito gera revolta do comandante dos Bombeiros

Entretanto, a falta de respeito pelo recolhimento obrigatório e pelo isolamento social causou a indignação do comandante dos Bombeiros Voluntários de Castro Daire.

Em declarações ao Jornal do Centro, Paulo Almeida começa a dizer que há dias que mais parecem “de feira” em Castro Daire. “Nós sabemos que não se consegue parar o contágio se houver tanta gente na rua. É uma atitude altamente irresponsável. É claro que ninguém a faz por mal, mas qualquer ato nosso vai ter repercussões nos nossos filhos, pais e avós. Nós temos com problemas nos lares porque, apesar de estarmos como estamos, as pessoas têm de visitar os avós porque estamos na altura da Páscoa. Isto não pode ser”, afirma.

O comandante já escreveu uma publicação sobre este assunto nas redes sociais, mas diz que, com este ato, não queria ofender as pessoas. “Simplesmente quis alertar que, na realidade, isto [pandemia] ainda não passou e que os números estão a aumentar e vão aumentar ainda mais, a custo do sacrifício das pessoas mais idosas e não só, porque ninguém está imune”, diz.

Paulo Almeida chegou a chamar mesmo de burros e criminosos os munícipes que não respeitaram as recomendações da Direção-Geral de Saúde.

“Não é por falta de informação que ela tenha corrido bem nos meios de comunicação e inclusive em ações de sensibilização. Na realidade, nós temos de medir bem os nossos atos. Esta não é a melhor altura para agirmos por impulso. Além disso, a informação circula com grande fluidez e toda a gente sabe o que vale um desleixo nosso que possa vir impactar na vida de outra pessoa. Se ela morrer porque eu desleixei, é um ato criminoso”, remata.

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