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Chamadas anónimas para a PSP boicotam eventos nos bares, queixam-se os proprietários

por Redação

01 de agosto de 2020, 08:30

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

Alguns bares na zona histórica da cidade têm vindo a promover concertos e atuações de dj's para dinamizar o negócio. Mas, muitas destas iniciativas têm vindo a ser interrompidas por queixas anónimas comunicadas à PSP de Viseu, lamentam os proprietários dos estabelecimentos que demonstram o seu descontentamento, muitas das vezes, em publicações nas redes sociais. Dizem que estas deslocações por parte da PSP prejudicam os estabelecimentos.

Adelino Lopes, proprietário do bar Faces, localizado na rua Formosa, explica que tem a casa aberta desde 2016, com licenças certificadas para os eventos organizados, quer atuações de DJ ou de músicos com instrumentos tradicionais. Lamenta que termina muitas noites com um sentimento agridoce causado pela interrupção dos eventos por si organizados e devidamente autorizados, uma vez que qualquer queixa anónima por “excesso de ruído” aos agentes da PSP envolvem obrigatoriamente a deslocação dos mesmos ao local e a interrupção de um espetáculo, quer seja este performativo ou musical. “A maioria das pessoas sente-se um pouco intimidada pela presença dos agentes da PSP, embora estes tenham demonstrado ser sempre cordiais, e explicaram-me que têm de vir ao meu bar perante qualquer queixa, mesmo sabendo de antemão da legalidade dos eventos”, esclarece o proprietário do Faces.

Desde o início que a ideia de Adelino Lopes, ao criar este bar que serve ainda de local de divulgação cultural, é a de dar um retorno aos clientes que frequentem o café e que este retorno seja algo mais do que a comida ou bebida consumidos. “É óbvio que poderá incomodar algumas pessoas, mas a verdade é que os eventos culturais e musicais têm de acontecer, fazem parte do ambiente citadino, e nós tentamos que sejam dentro das horas em que incomoda o menos possível”, explica. Os concertos de DJ são, na sua maioria, entre as 18h00 e as 23h00. Os concertos ao vivo, por seu lado, têm início marcados entre as 21h00 e as 21h30 e terminam igualmente às 23h00. “As pessoas não percebem muitas vezes que a atuação de um DJ é uma performance, e como tal é normal ter os seus picos de som”, afirma Adelino Lopes. Acrescenta ainda que “vivendo no centro da cidade, as pessoas necessitam de ser compreensivas perante os espetáculos que ocorram durante o dia”.

Uma opinião também partilhada por Luís Fonseca, proprietário dos bares Brooklyn, Penedro da Sé e Estado D’Alma, na praça D. Duarte. Sendo frequentes os concertos em alguns destes estabelecimentos, são também já várias as situações que reportam a queixas anónimas relativas ao ruído, afirma o empresário. “Ainda há dias eu queria organizar um concerto, mas acabei por desmarcar por se realizar um do Cubo Mágico também nessa noite”, conta. “Mesmo assim, a PSP dirigiu-se ao local porque recebeu uma queixa anónima que identificava o concerto como sendo nosso”, explica. Também neste bar as licenças de organização de eventos estão devidamente autorizadas, mas as deslocações da polícia ao local em consequência de acusações de música alta são frequentes.


 

A “casa do fado de Viseu” é exceção à regra

O bar “Pinguinhas”, localizado no mercado 2 de Maio e conhecido por ser o ponto de encontro do fado em Viseu, é uma excepção. “Não ter ruídos que possam perturbar o ambiente público, e sempre que se faz qualquer coisa na esplanada ter cuidado para não perturbar as pessoas à volta” são as razões que Sílvio Marques, proprietário do bar, aponta para o funcionamento sem interrupções ou “queixas” do seu estabelecimento. Outra diferença está no tipo de espetáculo mostrado ao público. Segundo Sílvio Marques, espetáculos com o uso de instrumentos como a guitarra e apenas a voz e de duração de aproximadamente meia hora são mais bem recebidos do que outro tipo de espetáculos. “Mesmo que possa estar a perturbar, tem uma durabilidade tão pequena que não incomoda ninguém”, explica. Acrescenta, ainda, que “uma coisa é um indivíduo a cantar durante vinte minutos, outra é ficar horas a tocar”.

Quanto à presença de eventos organizados pelo Cubo Mágico, Sílvio Marques elogia a iniciativa e acredita ser um dos fatores que, no centro de uma pandemia, consegue cativar mais pessoas a sair à rua e a desfrutar da oferta de lazer no espaço público, como o caso dos serviços de restauração. Já quanto à questão das denúncias anónimas, Sílvio Marques conclui afirmando achar “que todos os bares que têm eventos próprios, fazem-nos no sentido de atrair mais clientes, e é esse espírito de cativar as pessoas que importa”.


 

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