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Covid-19: comandantes dos bombeiros recusam tomar vacina em protesto

por Redação

29 de janeiro de 2021, 09:27

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Os comandantes das corporações de bombeiros da região de Viseu recusam receber a vacina contra a Covid-19, até que todos os operacionais sejam totalmente vacinados.

O aviso foi deixado pela Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu, em protesto contra o facto de os bombeiros não terem sido todos incluídos na primeira fase do processo de vacinação contra o novo coronavírus.

A instituição lembra que esta classe tem estado na primeira linha do combate à atual pandemia e exposto ao risco de infeção, transportando doentes Covid “de forma incessante”.

Em comunicado, a direção da Federação – liderada por Guilherme Almeida – considera que, face ao facto de estar prevista a vacinação de apenas metade do corpo efetivo na primeira fase, esta medida é injusta “a par de outros intervenientes no Sistema Integrado de Emergência Médica e não só, que foram vacinados na totalidade, com falta de algum rigor e clareza”, sem que se desconheça quando serão vacinados os restantes bombeiros.

A Federação de Bombeiros considera ainda que esta definição dos grupos de vacinação “irá criar situações de instabilidade interna nos Corpos de Bombeiros, quando se diferencia elementos que desempenham a mesma função e com a mesma operacionalidade”.

Guilherme Almeida, presidente da Federação de Bombeiros, admite que as corporações não querem tornar esta decisão uma tomada de força, mas antes despertar a atenção de quem decide sobre o processo de vacinação “no sentido de advertir que há a necessidade de vacinar quem falta”.

“O problema não está resolvido de todo. Desconhecemos qual será a data para a vacinação dos restantes operacionais e isso vai criar problemas nos corpos, porque não é fácil decidir num grupo de homens e mulheres quem vai para a primeira fase”, reafirma.

“Desde o início da pandemia, os comandantes tentaram manter a motivação dos seus operacionais, que no início se depararam com falta de equipamentos de proteção individual, a desinformação e implementando planos de contingência rigorosos para garantir a todo o momento a operacionalidade dos seus Corpos de Bombeiros. Todos os seus operacionais são importantes no desempenho da sua missão, independentemente do seu vínculo ou função”, pode ler-se na nota.

Guilherme Almeida diz que faltou rigor na definição de prioridades. “Não conseguimos perceber como é que há distinção dos agentes na linha da frente, até porque fomos discriminados. Não conseguimos perceber como é que o INEM está na prioridade e os bombeiros não o são na mesma altura. Nos lares, sabemos que não só foram vacinados os utentes e os funcionários, mas as direções e os funcionários administrativos. Houve um conjunto de situações em que as prioridades não foram bem acauteladas”, remata.

Entre os critérios para a primeira fase de vacinação, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil inclui um elemento de comando. Face a isso, a Federação de Bombeiros de Viseu assume “a não inclusão nessa prioridade, à exceção de elementos que pela natureza do seu serviço operacional e/ou profissional, cumulativamente desempenham funções afetos à emergência pré-hospitalar ou Transporte de Doentes Não Urgentes”.

A Federação de Bombeiros conclui o comunicado dizendo que os comandantes aguardam “que seja indicada com clareza uma data para que todos os bombeiros e bombeiras estejam vacinados na totalidade, sendo que cada um dos Comandantes aguardará até que o seu último operacional esteja vacinado”.

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