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Covid-19: Pavilhão do Fontelo já com quatro doentes. Hospital de Viseu com 10 enfermarias cheias

por Redação

19 de janeiro de 2021, 12:22

Foto Igor Ferreira

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Quatro doentes já deram entrada no hospital de campanha instalado no Pavilhão do Fontelo, em Viseu, para a Covid-19. Os doentes têm entrado desde a noite de segunda-feira (18 de janeiro), altura em que entrou o primeiro utente transportado do Hospital de São Teotónio.

O hospital de campanha conta com uma capacidade total de 60 camas. O coordenador Vítor Almeida garante que, durante esta terça-feira (dia 19), vão dar entrada pelo menos mais cinco utentes.

“Abrimos ontem (segunda-feira) e fizemos os primeiros testes de manhã, também ontem. Temos de afinar como é natural nestas estruturas, o que demora alguns dias. Durante o dia (esta terça-feira), esperamos mais cinco ou seis internados, pelo que já está a ser feita a triagem no Hospital e os doentes já têm a indicação bem definida e determinada para virem para aqui. Portanto, vamos complementando os espaços e aliviando alguma pressão hospitalar”, explica.

Com o novo confinamento em vigor desde a passada sexta-feira (dia 15), Vítor Almeida deixou ainda um forte apelo à população para que fique em casa e não ande a desrespeitar as normas das autoridades, até para salvaguardar a Saúde.

“Se os números de crescimento diário continuam como estão neste momento e se a população não perceber que tem de ficar em casa, não pode andar a misturar-se e tem de cumprir o confinamento, então o problema não fica resolvido porque a capacidade de resposta tem limites. A bola está dos dois lados: dos hospitais e também, sobretudo, da própria população”, diz o médico.

O coordenador do hospital de campanha do Fontelo acrescenta também que os doentes não-Covid “não podem ficar para trás”. “Se as pessoas não cumprirem o cumprimento, então não vai haver camas nem vagas para poder tratar do doente que tem cancro, do doente que ficou atropelado ou do doente que continua a adoecer de um enfarte. Os não-Covid não podem ficar para trás”, avisa Vítor Almeida.

 

São Teotónio abriu a décima enfermaria Covid. Já tem mais de 200 internados

O hospital de campanha no Fontelo abriu numa altura em que o São Teotónio chegou ao limite da sua capacidade de resposta, com dez enfermarias dedicadas ao coronavírus.

A informação foi adiantada ao Jornal do Centro pelo presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, Nuno Duarte. O administrador fala de uma situação “extremamente delicada”, com 206 doentes internados em enfermaria e 14 nos cuidados intensivos.

“Atendendo a esse número tão elevado, acionámos cerca de 10 enfermarias quando tínhamos previstas apenas cinco. Nós temos feito um esforço para acolher todos aqueles que têm recorrido ao Hospital, mas estamos a atingir o limite”, admitiu o gestor.

Nuno Duarte garantiu que o Hospital de Viseu ainda não está a escolher que doentes salvar, mas acrescenta que a unidade já tomou várias medidas face à pressão de que está a ser alvo, inclusivamente mandando doentes para o Hospital de Tondela e também para hospitais privados, como a CUF e a Casa de Saúde São Mateus, e suspendendo cirurgias não-prioritárias e não-urgentes.

“Fomos ocupando os espaços de áreas como a otorrinolaringologia e a ortopedia. Também já transferimos doentes para a nossa unidade de Tondela e temos vindo a tentar acomodar os doentes que vêm para o Hospital, mas foi entendido que tem de haver um conjunto de camas destinados a doentes prioritários como aqueles que têm AVC, que chegam às urgências e necessitam de cirurgias urgentes e que são doentes oncológicos. Portanto, tivemos de aumentar a capacidade”, afirmou o presidente do conselho de administração.

“O nosso problema é que precisamos de camas Covid e, neste momento, não há disponibilidade por parte dos privados de camas Covid, apenas em Albergaria-a-Velha, para onde foram quatro doentes, mas que já têm a [sua] capacidade esgotada”, apontou. Nuno Duarte reconheceu ainda que o CHTV “ainda tem capacidade na unidade de cuidados intensivos”, apesar de estar a duas camas do seu limite, mas se “a situação ficar ainda mais complexa”, acrescentou, “há já mais algumas camas preparadas e que podem ser acionadas”.

O mesmo acontecerá com a estrutura a funcionar desde segunda-feira no Fontelo, admitiu o presidente do conselho de administração, ou seja, “se este pavilhão encher a proteção civil já disse que há outras alternativas”. O Centro Hospitalar tem 60 profissionais infetados com Covid-19.

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