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Covid-19: restauração em ‘emergência’. “Será o golpe final”, dizem empresários

por Redação

13 de novembro de 2020, 16:00

Foto Igor Ferreira

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A partir de 16 de novembro (segunda-feira), os estabelecimentos comerciais, restaurantes e cafés dos 13 concelhos do distrito de Viseu que integram a ‘lista negra’ dos municípios de risco de Covid-19 vão encerrar às 13h00, aos fins de semana. Com as medidas a apertar, muitos dos restaurantes de Viseu vão optar por não abrir no próximo fim de semana. Outros esperam para ver.

presidente da delegação de Viseu da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) fala do “último prego no caixão” para o setor. Em declarações ao Jornal do Centro, Jorge Loureiro considera inadmissível a decisão e critica os apoios entretanto prometidos pelo Governo, que preveem apoios correspondentes a 20 por cento das receitas perdidas dos restaurantes em comparação com a média da receita obtida nos últimos fins de semana.

“Vivemos uma agonia que já se vinha a arrastar. Havia uma expetativa enorme e, de facto, é incompreensível que a única coisa que o Governo tem para dizer é que vai dar um apoio de 20% aos restaurantes a partir da média das últimas 44 semanas, apanhando dois meses em que os estabelecimentos estiveram fechados”, lamenta.

Jorge Loureiro vai mais longe e fala mesmo em “migalhas”, tendo em conta as ajudas dadas noutros países europeus. “Portugal ainda está a confinar menos do que o resto da Europa, mas a verdade é que quando anunciam restrições à atividade económica, os outros países colocam mecanismos de apoio aos negócios. Aqui não há isso, porque nos são anunciadas restrições todos os dias e são-nos atiradas umas migalhas”, critica.

Já o presidente da Associação Comercial de Viseu, Gualter Mirandez, acredita que o encerramento do comércio tradicional às 13h00 durante o fim de semana não será uma medida que vá agravar muito o setor, porque já era um horário praticada pela maioria dos comerciantes.

O dirigente realça que a preocupação passa agora pelo setor alimentar e pela saúde pública. “Para este comércio, pode trazer mais algumas implicações. É mais uma situação de preocupação, mas temos de ajudar a combater a pandemia porque preservar a saúde é fundamental. Desde que as regras sejam claras e para todos, devemos assegurar que, daqui a 15 dias, vamos sair disto e se, de alguma forma, o país vai conseguir rapidamente passar esta segunda vaga”, explica Gualter Mirandez.

 

Restaurantes fazem novamente "contas à vida"

Alguns dos restaurantes de Viseu ainda estudam possibilidades. Mas já há quem tenha soluções para atenuar o impacto da redução dos horários. Como a Mesa d'Alegria, na rua da Vitória, onde há novo método de servir comida desde junho. Devido à limitação dos lugares dentro do restaurante, “procurámos inovar com a eat & walk, em que as pessoas podem levar uma box com o prato do dia, por um preço mais simpático”, afirma o proprietário do espaço, Paulo Almeida, adiantando que irá ser a solução para o próximo fim de semana, assim como as entregas ao domicílio, através da plataforma Uber Eats.

Sem jantares ao sábado, o proprietário espera que “o governo se lembre que as quebras são brutais e que tem que encontrar soluções para fazer face à falta de faturação dos restaurantes, porque o take away e entregas não são suficientes”.

Na Rua Augusto Hilário não há outra solução. Sem possibilidade de entrega ao domicílio por “não ter carro”, “também não compensa manter o take away até às 13h00”. Apesar de “se faturar muito mais ao fim de semana”, o restaurante O Hilário não vai abrir. Fernanda José, proprietária do restaurante, não tem dúvidas: “não vamos conseguir sobreviver”, lamenta, “só quem está nos restaurantes é que sabe o que se passa”.

Na cafetaria Raiz ainda se estuda a possibilidade. Costuma estar aberta aos sábados até às 19h00 e “é o melhor dia da semana”, garante o proprietário do espaço, Rui Nunes. É da opinião que são medidas “drásticas que vão trazer repercussões muito graves para o nosso setor e vai claramente afetar-nos”, refere.

No centro da cidade, em pleno Rossio, também se espera por soluções. Uma esplanada que já sentiu os efeitos da pandemia: “éramos quinze funcionários e agora somos treze”.  Atrás do balcão, Filipe Ferreira, responsável pelo espaço, é também da opinião de que “não vale a pena estarmos abertos ao fim de semana”. Além disso, “não é um sítio para take away ou entregas”, refere, “isso não é uma solução porque as pessoas não vão sair de casa”.

Para o responsável, as medidas “serão o golpe final para quem tem muito funcionário”, diz, admitindo que muitos dos pequenos restaurantes não vão conseguir sobreviver a este segundo estado de emergência.

Na Rua Almeida Moreira também não se vai abrir portas. No 100 Papas na Língua “não se vai montar uma operação de take away só para um fim de semana”. José Fernandes, proprietário do espaço, refere que “as novas medidas não são benéficas para o setor porque retiram uma grande parte dos clientes naquilo que nós chamamos, nos horários mais premium (vantajosos)”, admitindo que “estamos num momento de descontrolo da pandemia e obrigatoriamente percebo que haja um cuidado maior com questões de saúde pública”.

As novas medidas restritivas estarão em vigor a partir da próxima segunda-feira e até às 23h59 de 23 de novembro.

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