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Covid-19: setor do vinho quer lay-off para pequenos produtores e engarrafadores

por Redação

26 de janeiro de 2021, 14:44

Foto Arquivo Jornal do Centro

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O presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Arlindo Cunha, defende o ‘lay-off’ aos pequenos produtores e engarrafadores de vinho, que são, considera, os que mais sentem os impactos da pandemia da Covid-19.

Arlindo Cunha disse que “os impactos da pandemia no setor dos vinhos são muito assimétricos”. “As empresas de maior dimensão, as que têm economias de escala, que produzem e comercializam milhões de garrafas, vendem essencialmente nas grandes superfícies e também na exportação. Para essas, o impacto não foi tão forte”, contou.

Já no que respeita aos “produtores engarrafadores que vendiam essencialmente para o canal HORECA (hotéis, restaurantes e cafés)”, a situação é “muito grave” devido à crise no setor do turismo e ainda piorará com o confinamento atual, alertou o presidente da CVR Dão.

Arlindo Cunha disse ainda que os pequenos produtores engarrafadores “não têm escala para vender na grande distribuição, nem para exportar”, e que o seu principal canal de escoamento “ficou altamente condicionado e, agora, com o confinamento, mesmo bloqueado”.

A Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas está a realizar um inquérito aos produtores de cada região sobre os impactos da pandemia, mas o contacto diário com os produtores permite já ter uma ideia dos resultados.

“Estamos à espera do estudo para quantificar estas quebras, mas serão superiores a 50%, (por cento) seguramente. E ainda agravarão mais com o confinamento”, frisou.

Neste âmbito, o antigo ministro da Agricultura disse ser “importante que o Governo analise os problemas dos produtores engarrafadores de pequena e média dimensão, para ver como é que lhes pode ajustar os mecanismos de lay-off”.

“Eles têm uma atividade diversificada, porque fazem viticultura, fazem enologia, fazem as vendas. Não há uma afinação do lay-off para estas situações dos pequenos produtores e engarrafadores”, lamentou.

Arlindo Cunha defendeu também a aplicação das ajudas à armazenagem ao vinho que já está engarrafado.

“Essas ajudas deviam ser aplicadas não apenas ao vinho a granel, mas também ao vinho que já está engarrafado, mas que não pode ir para o mercado, porque o mercado HORECA está parado”, explicou.

Outra medida que considera importante é a criação de “uma linha especial de financiamento de tesouraria para as adegas cooperativas e para as empresas que compraram uvas aos produtores”.

“Em todas as regiões há milhares de agricultores que vendem as uvas, não são produtores de vinho. O pagamento destas uvas não é imediato, vai ocorrendo ao longo dos meses seguintes, à medida que o vinho vai indo para o mercado”, afirmou.

A linha de crédito iria permitir “melhorar a tesouraria destas adegas cooperativas e das empresas”, acrescentou.

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