Foto Igor Ferreira
O presidente do CDS-PP quer que seja criada uma lista de credores ao Estado para melhorar os prazos de pagamento e assim injectar dinheiro na economia portuguesa. Francisco Rodrigues dos Santos esteve esta quinta-feira à tarde em Viseu e contactou com alguns comerciantes locais.
“O Estado, por exemplo, a fornecedores tem uma dívida de 624 milhões de euros, também se atrasa a pagar o reembolso do IRS às famílias e o reembolso de IVA nas empresas exportadoras. Então, se as empresas e as famílias pudessem descontar as dívidas do Estado do pagamento dos seus impostos e contribuições havia aqui uma compensação de créditos e dava-lhes mais rendimento disponível. E o mesmo se passa com as tabelas de retenção na fonte. Da mesma maneira que existe uma lista de devedores ao Estado, deveria haver também uma lista de credores”, sustentou.
Entre as várias medidas de apoio ao pequeno empresário que “não teve direito a lay-off”, o líder do CDS pede estímulos diretos, a eliminação do pagamento por conta e duplicação de linhas de crédito com uma parte a fundo perdido. Só assim, afirma, “os pequenos comerciantes podem começar a pensar na retoma”.
“Os pequenos empresários que constituem 96 por cento do nosso tecido empresarial têm muitas dificuldades ao nível da liquidez e tesouraria. Houve uma contração da atividade e nesta retoma verifica-se que ela está a ocorrer de uma forma mais lenta do que seria desejável. Pese embora já estejam de portas abertas ainda não existe um clima de confiança nem de segurança ao nível do consumo. Nós passeámos pelas ruas e vemos que não existem muitos clientes”, descreveu.
Já antes, em Nelas, tinha aconselhado a ministra do Trabalho a preparar-se melhor e a ir ao terreno conhecer a realidade de quem perdeu rendimentos com a pandemia de covid-19 antes de falar em retoma.
Depois de Nelas, onde visitou uma exploração agrícola, Francisco Rodrigues dos Santos passeou pelo centro de Viseu. Entrou em sapatarias e lojas de pronto-a-vestir e ouviu os desabafos dos comerciantes que dizem que são “os únicos que ocupam as ruas, uma vez que não há clientes”.
Para o “centrista”, Viseu, por exemplo, deveria apostar no turismo. “Viseu é uma cidade que ainda não desenvolveu políticas atrativas de turismo capazes de estimular a procura interna que nesta altura seria uma boa oportunidade porque são territórios mais tranquilos e mais seguros do ponto de vista do controlo da epidemia”, disse.
Autárquicas
E em Viseu, o líder do CDS deixou já um caminho para o que poderá ser o futuro do Partido nas próximas eleições autárquicas, afastando as coligações “muito à direita”.
“O PSD e o CDS devem encetar esforços e pontos de convergência para construir um projeto alternativo ao socialismo e a fórmula que desenhei é a de que em todos os municípios onde a direita unida – CDS e PSD – puder derrotar a esquerda deve haver o esforço de procurar uma plataforma de entendimento com vista a listas conjuntas”, pediu.