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Escolas: segurança na reabertura, com um misto de receio e otimismo

por Redação

18 de maio de 2020, 11:54

Foto Igor Ferreira

Estudantes revelam alguma ansiedade no retomar das aulas presenciais. Escolas garantem segurança

CLIPS ÁUDIO

As escolas secundárias da região de Viseu retomaram esta segunda-feira (18 de maio) as aulas presenciais, com várias medidas de segurança, proteção e higiene. As portas abriram-se para os alunos dos 11.º e 12.º anos de escolaridade.

A reportagem do Jornal do Centro passou por vários estabelecimentos de ensino. Todos os alunos entraram nas escolas com máscara e também foram obrigados a desinfetar as mãos.

Por exemplo, na Escola Secundária de Viriato, em Viseu, os estudantes regressaram às aulas num misto de ansiedade e expectativa. “Ainda vai ser um bocado confuso. É tudo novo e não sabemos como é que as aulas vão decorrer e se o método vai ser eficaz… Também sentimos um bocado de receio de pudermos ser infetados, por causa das famílias que temos em casa", revelou um aluno.

Outro estudante disse não ter receio, “porque sabemos que a escola só abriria se tivesse condições de fazer cumprir as regras. Da nossa parte, também vamos cumpri-las”.

“É claro que temos saudades uns dos outros. Estamos juntos é muito melhor. Todos sabemos que as aulas online não são assim tão boas quanto as presenciais. Por mais que o professor seja profissional, as aulas nunca vão correr tão bem como as presenciais”, opinou uma outra jovem ouvida pelo Jornal do Centro.

Já os pais mostraram-se mais preocupados. “Agora, com estas coisas, estamos sempre com receio”, disse um dos pais. “Vamos ver como vai correr. Temos de estar preparados para tudo. Todos saímos de casa e qualquer um pode apanhar o vírus”, confessou uma mãe.

Na Secundária Viriato são esperados, esta semana, 170 estudantes. Esta segunda-feira, só quatro turmas tiveram aulas. A direção da escola aguarda 100 alunos, mas o Jornal do Centro viu apenas cerca de 20 estudantes a cruzarem, esta manhã, o portão. Os alunos vão ser acompanhados por 37 funcionários e 30 docentes.

Susana Carvalho, professora de matemática há 21 anos, concorda com o regresso à escola e afirmou ter dificuldades em lecionar à distância. “Não há nada como o ensino presencial. Há determinadas noções e exercícios que é difícil explicar sem ser em sala de aula, mas fizemos o nosso melhor. Sinto que os meus alunos aderiram e trabalharam muito bem”, afirmou a docente, acrescentando que esta nova normalidade “vai ser diferente do que estávamos habituados”. “Temos qie nos adaptar a esta nova realidade e acho que estas aulas vão ser uma mais-valia para aqueles que vão ter exame”, disse.

Já o diretor, Pedro Ribeiro, admitiu que o reinício das aulas presenciais constitui “pelo menos, algum risco”. O responsável pela Escola Viriato acredita que este pode ser um ensaio para o próximo ano letivo.

“Numa estratégia de desconfinamento faz sentido este tipo de situação, começando apenas por dois anos de escolaridade. Penso que, nesse aspeto, desde que se cumpram todas as regras de segurança, o desconfinamento teria de implicar, de alguma forma, as escolas”, concluiu.

 

Alunos da Alves Martins separados

Já os alunos da Escola Secundária Alves Martins foram divididos. Os estudantes do 11.º ano permanecem no antigo liceu, enquanto os do 12.º têm aulas na Escola Básica Grão Vasco.

Para alguns alunos ouvidos pelo Jornal do Centro, este é um regresso a uma escola que bem conhecem. “Para mim, não é uma escola nova. Já andei aqui [Grão Vasco] há cinco anos, no básico. Vai ser um pouco estranho estar nas aulas com máscara, mas acho que é uma questão de hábito e que vai correr bem”, afirmou um dos estudantes do 12.º ano.

Já para outros, a vinda à Grão Vasco representa uma novidade. “Só estive aqui uma vez para ficar em residência, mas de resto não conheço a escola. Vai ser um bocado difícil porque não vamos poder sair de sala”, disse um aluno. Uma outra aluna não escondeu o receio pelo facto de alguns poderem não vir a cumprir as regras de segurança.

Um outro estudante considera que os colegas deviam ter aulas só para disciplinas que vão constar nos exames. “Por exemplo, a Educação Física não faz sentido. Estamos em casa e nem toda a gente tem o espaço para realizar os exercícios que o professor propõe”, argumenta.

Na Alves Martins, estão os estudantes do 11.º ano. Um deles disse ao Jornal do Centro que preferia ter ficado em casa. “Ainda é muito cedo e acho que, provavelmente, a situação vai começar a piorar. Se eu apanhar, é uma coisa. Agora, tenho mais medo de apanhar dos meus pais e assim sucessivamente, porque a minha mãe tem vários problemas respiratórios”, afirma.

outros estavam com saudades da escola. “É diferente o contacto com os professores. O ensino é melhor [em sala de aula] e não é bom à distância”, acrescenta uma aluna.

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Escola Secundária de Mangualde reabriu com todas as cautelas

Em Mangualde, o regresso à Escola Secundária também foi tranquilo. As portas abriram-se às 8h00 da manhã e aos alunos e professores foi-lhes medida a temperatura. Também foi necessário desinfetar as mãos e trazer as máscaras de proteção.

No momento do regresso às aulas a vontade de retomar sobrepôs-se ao receio de proximidade.

“É sempre um bocado alarmante e preocupante regressarmos à escola com esta nova realidade. Mas é bom voltar e acho que é o que todos queríamos, não pelas melhores razões, mas pronto… É ter calma e tentar seguir as regras ao máximo para não cometer nenhum deslize”, disse uma aluna ouvida pelo Jornal do Centro.

Já um outro aluno sublinhou a importância desta retoma, a pouco tempo antes da realização dos exames nacionais do secundário. “É importante rever a matéria. Acho que, se forem seguidas as regras, vai dar tudo certo”, afirmou acrescentando que não o assusta o contacto com outras pessoas.

“Temos sempre um pouco de receio devido às condições e ao que está a acontecer, mas penso que a escola está a tomar as devidas precauções e que tudo vai correr pelo melhor”, referiu uma outra aluna.

Do lado dos pais também impera o receio, mas há quem considere que é importante o regresso à normalidade possível. “Encaro isto de uma forma normal. A única coisa que não entendo muito bem é que os alunos tenham quatro disciplinas e haja exame para apenas uma. A vida tem de seguir e os cuidados estão tomados”, disse uma mãe, que é profissional de saúde e considera que não há "stress" nesta altura de retoma escolar.

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150 alunos regressaram às aulas em Santa Comba Dão

Em Santa Comba Dão, cerca de 150 alunos da Escola Secundária regressaram às aulas. Maria Inês, de 17 anos, voltou a entrar no estabelecimento de ensino, com algum receio.

“Vejo isto como uma mudança e acho que vamos aprender a viver com isto. O mais complicado foi sair da escola, porque tinha dúvidas de como é que iria ser trabalhar em casa, sem os professores a acompanhar o período escolar, e foi complicado”, confessou.

Já Madalena Dinis, diretora do Agrupamento de Escolas de Santa Comba Dão, disse estar bastante satisfeita com o arranque das aulas e falou de um “regresso calmo e seguro”.

“Os alunos estão a reagir bem, com um olhar um pouco ansioso, mas está tudo a correr muito bem. Entraram de uma forma muito ordeira, já conscientes de todas as orientações, porque as receberam em casa via e-mail. Os que não têm computador receberam em mão as orientações”, rematou.

 

Aulas começaram a meio-gás em Tondela

Já em Tondela, o regresso à Escola Secundária da cidade começou a meio-gás. Dos 235 alunos do estabelecimento de ensino, só cerca de 100 estudantes retomaram as aulas presenciais esta segunda-feira

O diretor do Agrupamento de Escolas Tomáz Ribeiro, Júlio Valente, reconhece que o início das aulas presenciais foi um pouco complicado para a maioria dos alunos.

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