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Fundos europeus: empresários querem é saber quando recebem os apoios

por Redação

01 de Agosto de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Os empresários estão expetantes com os apoios que foram alcançados por Portugal na União Europeia, mas querem que as verbas sejam disponibilizadas atempadamente. Dizem que o trabalho agora vai estar nos “detalhes” e que o dinheiro tem de chegar a quem realmente necessita, nem que seja com apoios diretos.

Portugal terá disponíveis 45 mil milhões de euros nos próximos sete anos, estando incluídos neste valor global, 29,8 mil milhões de euros através do próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) e 15,3 mil milhões de euros em transferências a fundo perdido.

“É nos detalhes que está o diabo, como se costuma dizer. O que falta agora saber é que estratégia o país vai ter para aplicar esse dinheiro”. Esta é a questão que o empresário da área da hotelaria, Jorge Loureiro, começa por colocar em cima da mesa. O caminho ainda está a ser feito pelo Governo, mas Orlando Lourenço, responsável pelas Caves Raposeira, afirma que o setor primário tem de ser o prioritário. “Tem de se apoiar a agricultura, as milhares de famílias que vivem dela e quase tudo perderam, tem de se apoiar o Interior”, sustenta, lamentando que este seja um setor que “não está a ser devidamente pensado” e que foi “dos que mais sofreu em perdas provocadas pela pandemia”.

“Desde a maçã, ao vinho, todos os produtores, mas também quem opera na área da transformação”, frisa, mostrando que a área vitivinícola, que bem conhece, até “é fácil” de saber que apoios e a quem conceder. “Cada produtor tem uma ficha de manifesto, sabe-se exatamente o que fez. Portanto, não é difícil avaliar perdas e os apoios têm de chegar a quem necessita nem que sejam apoios diretos”, defende.

Os dois empresários falam de um acordo bom para a Europa e para Portugal, mas querem agilidade. “Fala-se seis a nove meses. Ou seja, tudo aponta que o dinheiro não esteja injetado na economia antes do primeiro trimestre de 2021”, vaticina Jorge Loureiro. O também presidente da Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal questiona como “vamos sobreviver durante estes meses”.

“Metem-se os ministérios, a banca e já sabemos como é. O dinheiro tem de chegar rápido. Vamos ver se chegará ao setor prioritário que são as pessoas que neste momento vivem da agricultura”, alerta Orlando Lourenço.

O tempo que o pacote financeiro vai demorar a entrar na economia portuguesa também é uma das preocupações da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. Esta entidade considera que o acordo europeu “abre perspetivas para uma intervenção coordenada para estimular e acelerar a recuperação da economia da União Europeia, em resposta à crise provocada pela pandemia de covid-19”. Porém, o presidente da Confederação, António Saraiva, adianta que “é necessário, agora, assegurar que estes fundos são disponibilizados de forma atempada e aplicados eficazmente, em áreas relevantes e investimentos produtivos, de forma a que saíamos deste período de crise reforçados”. 

Para a confederação que representa mais de 150 mil empresas, “Portugal enfrenta o desafio de tirar o máximo partido das oportunidades criadas pelos novos instrumentos”.

“É uma excelente oportunidade para o país fazer o que não fez nos anteriores quadros comunitários”, reforça, por seu lado, Jorge Loureiro.

O Conselho Europeu aprovou um acordo para retoma da economia comunitária pós-crise da covid-19, num pacote total de 1,82 biliões de euros. Foi então aprovado um Quadro Financeiro Plurianual para 2021-2027 de 1,074 biliões de euros e um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões, com pouco mais de metade em subvenções.

Relativamente ao Fundo de Recuperação, 390 mil milhões de euros serão atribuídos em subvenções (transferências a fundo perdido) e os restantes 360 mil milhões em forma de empréstimo.

O Presidente da República já defendeu que as prioridades para a aplicação dos fundos europeus devem ser alvo de um debate na sociedade, uma vez que “o dinheiro é de todos” os portugueses.

“Tudo tem o direito a falar sobre isso. Os sindicatos, os patrões, as universidades, as entidades da sociedade civil, todos têm o seu contributo a dar, porque o dinheiro é de todos. O dinheiro não é do Governo, nem da oposição, nem do partido A, B ou C. O dinheiro foi obtido pelos portugueses para os portugueses, que têm o direito a dizer uma palavra sobre esse dinheiro”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

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