11 Ago
Viseu

Região

Há emigrantes a regressar em viagens clandestinas

por Redação

11 de Julho de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Alguns emigrantes que estão a regressar por autocarro a Portugal estão assustados com a falta de segurança em viagens feitas de forma clandestina. Falam em carreiras lotadas e pessoas sem máscaras. Numa altura em que as fronteiras já abriram, mas a circulação ainda é condicionada, sustentam que a única alternativa é este meio de transporte para muitos dos trabalhadores. Receios numa altura em que as normas obrigam ao distanciamento social e regras de higienização por causa da pandemia da Covid-19.

Uma das situações aconteceu com cidadãos da região de Viseu. O regresso a Portugal, depois de meia dúzia de meses na Suíça, aconteceu no início de julho. “Fizemos uma viagem de 20 horas. Éramos 80 pessoas dentro de um autocarro e muitos sem máscara. Vim toda a viagem assustada”, conta uma passageira que, por ter a noção de quem a sua viagem foi “clandestina”, preferiu não dar o nome. Pagou 200 euros, entrou no norte do país e lembra que em momento algum avistou a autoridades. “Regressar de avião era muito caro e sem certeza de ter voo. Os transportes internacionais ainda não estavam a operar e eu queria mesmo vir embora. Tal como todos os outros, sujeitámo-nos. Nem bilhetes tínhamos. Pagámos e pronto”, contou, afirmando ter tido a consciência do risco que correu. “Agora estou de quarentena por precaução”, reforçou.

As normas exigem nos transportes públicos o uso de máscara e uma lotação de 2/3. “Não dava para mais ninguém no autocarro onde fiz a viagem”, referiu.

O Governo português já anunciou que os emigrantes podem vir passar as férias de verão a Portugal. O Ministério dos Negócios Estrangeiros recomenda que seja privilegiado o recurso à via aérea. “Chegaram a pedir-me 800 euros para uma viagem. Optei por vir de carro mais uns conhecidos”, começou por contar Mário Santos, emigrante em França e que acabou de chegar a Viseu. Disse que todo o percurso foi feito sem percalços e sem “fiscalização”. “Pensei várias vezes antes de decidir se vinha ou não a Portugal. Vivo em Paris e sei bem o que foi ter regras para cumprir. Não foram tempos fáceis e continuamos a andar todos cheios de medo”, esclareceu. Junto da família, os cuidados são para continuar. “A diferença é que aqui tenho muito espaço livre para andar”.

Mário Santos notou ainda que há menos emigrantes a regressarem a Portugal para as férias. “Até nas estradas se nota, muito menos carros com matrículas estrangeiras”, realçou.

Os portugueses emigrados na União Europeia poderão fazer o percurso por via aérea ou terrestre e, desde que não adoeçam, sem quarentena obrigatória, seja à passagem por Espanha, à chegada a Portugal ou no regresso aos países onde residem.

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Fique também a saber quem pode voar para Portugal

É autorizada a entrada em Portugal por via aérea, dos seguintes passageiros:

  • nacionais dos Estados-Membros da UE e dos países associados de Espaço Schengen que estiverem autorizados (acima referidos), bem como membros das respetivas famílias, exceto se passarem em Portugal, em trânsito para um Estado-Membro, que não o da sua nacionalidade, no qual não possam exercer livre circulação;

  • nacionais dos países de língua oficial portuguesa, África do Sul, Canadá, EUA, Reino Unido nos termos do acordo de transição, e Venezuela, se os cidadãos portugueses forem tratados de forma equivalente;

  • nacionais de países terceiros com autorização de residência ou visto de longa duração para Portugal;

  • profissionais de saúde e pesquisadores na área de saúde, bem como trabalhadores de ajuda humanitária, desde que cheguem no exercício das suas funções;

  • agentes diplomáticos e consulares acreditados em Portugal, pessoal administrativo e doméstico ou equiparado que venha prestar serviço nas embaixadas ou consulados, funcionários das organizações internacionais com sede em Portugal, bem como membros das suas famílias. Todos estes dispõem de um documento de identificação emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros;

  • cidadãos repatriados pelo mecanismo de assistência consular;

  • requerentes de proteção internacional;

  • cidadãos que viajam por motivos de saúde urgentes devidamente comprovados;

  • nacionais dos países de língua oficial portuguesa, no âmbito de protocolos de saúde, para a celebração de atos médicos urgentes e inadiáveis;

  • cidadãos cuja entrada se justifique por motivos humanitários;

  • cidadãos que integrem ou venham a integrar o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (devidamente credenciados).

Além destes, é ainda autorizada a entrada dos cidadãos nacionais dos Estados-Membros da União Europeia que não implementam as regras do Espaço Schengen, nos voos provenientes desses países, exceto se estiverem em trânsito e se deslocarem para um Estado-Membro que não o da sua nacionalidade, no qual não possam exercer o direito de livre circulação.


 

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