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Irmã diz que homicida de Santo Estêvão é pacato e meigo

por Redação

09 de julho de 2020, 18:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Antes das alegações finais do processo em que o Tribunal de Viseu julga José Pedro Simões de ter morto a prima à facada e ter deixado uma faca espetada na face do primo, a irmã do arguido disse que o jovem, de 22 anos, é “pacato” e “meigo”.

“Sempre foi o primeiro a tentar resolver conflitos, até entre amigos. Com ele é tudo ‘na paz do senhor’, contou esta quinta-feira (9 de julho), no Tribunal de Viseu, Sónia Simões.

A irmã do alegado homicida garantiu, ainda, que os pais, que na altura do crime estariam numa viagem à ilha da Madeira, “sempre foram presentes”. “Tanto para ele como para mim. Sempre nos acompanharam”.

Já em relação a Elsa Ferreira, de 43 anos, que terá morrido às mãos de José Pedro Simões, a 13 de maio de 2019, e ao marido, Paulo Catarino, que ficou ferido, Sónia Simões afirmou que “faziam parte da família”.

“A Elsa era a nossa segunda mãe. Fazia férias connosco todos os anos. Passávamos os feriados e os fins de semana sempre juntos”, revelou, acrescentando, “Nunca foi intenção do meu irmão fazer mal a ninguém”.

Sónia Simões contou, ainda, que durante o tempo em que o irmão esteve internado no Hospital Psiquiátrico de Viseu, antes de ter fugido e ter cometido o crime, visitou-o “todos os dias, às vezes mais do que uma vez por dia”. “Ele dizia-me que tinha medo que o matassem. Chegou a perguntar-me se a eutanásia já tinha sido legalizada”.

Médica psiquiatra defende esquizofrenia

Na sessão de julgamento esteve, também, uma médica psiquiatra forense, que terá estado com José Pedro durante o tempo em que o arguido permaneceu no Estabelecimento Prisional de Viseu.

Susana Almeida garante que, quando analisou José Pedro, em setembro de 2019, ele estava psicótico.

“Um quadro paranóico, como o do Zé Pedro, evidencia uma realidade que não é a nossa. Têm crenças falsas, irredutíveis e conseguem, sempre, contra-argumentar. Trata-se de um sistema cognitivo delirante. Diria ‘alienado’, contou.

A clínica disse, ainda, concordar com o diagnóstico e com a inimputabilidade que foi concedida ao arguido. “Não tenho dúvidas de que seja um quadro de esquizofrenia”, referiu, frisando que “O ‘eu hoje’ psicótico’ não é o ‘eu atrás’ psicótico’” e que uma esquizofrenia altera o ‘todo eu’.

A psiquiatra disse, ainda, que da avaliação que fez a José Pedro, o risco de violência que este apresenta é de 7 por cento, o que equivale a um risco médio e que “é tratável com fármacos e reabilitação”, defendo que “o desejável” é fazer o tratamento “em ambulatório”. “O afastamento social não é bom para a reabilitação”, concluiu.

 

Homicida de Viseu considerado “inimputável” e “perigoso”

O arguido foi considerado “inimputável” e “perigoso” pelo Instituto de Medicina Legal e encontra-se internado no hospital psiquiátrico Sobral Cid, em Coimbra, tendo sido dispensado de assistir ao julgamento.

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