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Linha da Beira Alta perde três ligações do intercidades

por Redação

03 de Junho de 2020, 09:16

Foto Arquivo Jornal do Centro

Notícia Jornal do Centro

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Vão ser suprimidas três ligações do comboio intercidades da Linha da Beira Alta, duas no sentido Lisboa-Guarda e uma no sentido Guarda-Lisboa, sabe o Jornal do Centro.

A decisão já terá sido tomada pela transportadora CP. A Linha da Beira Alta atravessa vários concelhos do distrito de Viseu, como Mangualde, Mortágua, Nelas e Santa Comba Dão.

O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia, afirma que esta é uma situação “lamentável” e diz que este é mais um “corte drástico nos direitos das pessoas do interior” e uma medida que só vai beneficiar Lisboa e o litoral.

“Mais uma vez, não dignifica o interior. Isto é continuar a cavar o fosso entre o litoral e o interior. Portanto, o suprimento destas três linhas é uma situação muito prejudicial para os concelhos do interior, nomeadamente aqueles por onde passa a Linha, mas também concelhos vizinhos”, lamenta em declarações ao Jornal do Centro.

O autarca garante que vão ser tomadas medidas para travar o avanço da decisão. Leonel Gouveia diz que irá exigir junto da Infraestruturas de Portugal que a medida seja anulada e que a situação na Linha regresse à normalidade.

“Esperamos que, pelo menos, haja a sensibilidade de perceber que não é com medidas destas que se combate a desertificação do interior. Senão, não faria sentido criar o Ministério da Coesão Territorial e ter uma ministra e um secretário de Estado para defender as questões do interior. Não pode haver um discurso [que vai para um lado] e uma ação que vai exatamente no sentido contrário. Vamos esperar que haja bom senso”, afirma.

O presidente de Santa Comba Dão acrescenta que, caso a decisão não seja travada, não se descarta a possibilidade de se realizar manifestações públicas de protesto.

 

 

CIM Viseu Dão Lafões vai questionar presidente da CP

Já em comunicado, o Conselho Intermunicipal da CIM Viseu Dão Lafões assegurou que irá questionar o presidente da CP, perguntando se o reforço anunciado da oferta de longo curso se destina apenas aos utilizadores do litoral e das grandes áreas metropolitanas.

Os autarcas reagiram à tomada de posição da transportadora, “com a mais profunda das indignações”, “sem que antes tenha estabelecido qualquer tipo de diálogo com a CIM Viseu Dão Lafões, nem com os municípios seus associados”.

Assim, o Conselho Intermunicipal da CIM Viseu Dão Lafões manifesta, de forma unânime, o seu repúdio por tal decisão, exigindo a reposição, imediata, dos horários suprimidos, mantendo em funcionamento a operação até aqui desenvolvida”, lê-se na nota.

Os autarcas da região dizem ainda que, como empresa pública, a CP não pode tomar “decisões que contribuem para o isolamento das nossas populações e que colocam em causa a coesão social dos territórios” e que esta decisão “amplifica as assimetrias regionais”.

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