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Mangualde: trabalhadores mais velhos da PSA forçados a pedirem reforma mais cedo, acusa Bloco

por Redação

28 de setembro de 2020, 17:09

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Os trabalhadores mais velhos da fábrica automóvel PSA Mangualde estão a ser alegadamente pressionados pela empresa para se reformarem mais cedo do que a idade legal da reforma.

O alerta foi deixado esta segunda-feira (28 de setembro) pela líder do Bloco de Esquerda (BE), depois de uma reunião com funcionários da unidade fabril.

Catarina Martins reclama um olhar atento do Governo sobre esta situação. A coordenadora bloquista refere que os trabalhadores aceitam os pedidos da empresa para se reformarem “porque, na verdade, a sua saúde não aguenta que continuem a trabalhar”.

“Julgo que, aos 66 anos, trabalhar por turnos é algo verdadeiramente impossível e, portanto, precisamos de garantir as condições na lei para que as pessoas se possam reformar mais cedo. É importante, também, que o Governo crie condições para um acordo-empresa em Mangualde que proteja os trabalhadores e aceite os acordos para se reformarem mais cedo”, diz.

Catarina Martins passou em Mangualde para falar da nova proposta de lei, em defesa das pessoas que trabalham por turnos, que vai ser debatida no Parlamento na próxima semana, a 8 de outubro.

A coordenadora do Bloco diz que a crise provocada pela pandemia da Covid-19 acentuou as pressões para se fazerem turnos e frisa que a proposta visa proteger esses mesmos trabalhadores.

Esta é uma matéria essencial para garantir que a crise não abra as portas a mais abusos e que quem trabalha por turnos em Portugal tenha direito a descanso, proteção na saúde e acesso à reforma”, afirma.

Catarina Martins considera ainda que espaços de produção como a da PSA “podem às vezes parecer pequenos, mas são fundamentais num momento em que há muitas empresas que estão a utilizar a crise como desculpa para imporem piores horários e piores turnos aos trabalhadores”.

No seu entender, para garantir que “esta crise não é um pretexto para que se trabalhe em piores condições em Portugal e para preservar a saúde é fundamental que o Parlamento, na próxima semana, dê esse passo para uma nova lei que proteja os trabalhadores por turnos”.

Catarina Martins lembrou que, em Portugal, existem 750 mil trabalhadores por turnos, entre os quais os da PSA.

“Temos uma realidade que é a de sempre e uma realidade que é nova”, frisou.

A coordenadora do BE referiu que há muito se sabe que os trabalhadores por turnos “têm problemas de saúde acrescidos e têm problemas muito grandes de conciliação com a sua vida familiar”.

“O BE vem há muito tempo a lutar para mudar a lei do trabalho por turnos, para garantir o direito ao descanso, aumentar os intervalos entre os turnos, aumentar os dias de férias e os trabalhadores poderem aceder mais cedo à reforma”, lembrou.

No entanto, acrescentou, “há uma condição nova, face à crise que se vive em Portugal: a pressão para os trabalhadores aceitarem condições de turnos e de salários que os prejudicam muito está a aumentar”.

“Quando há uma situação de maior desemprego, de maior vulnerabilidade económica, aumenta muito a chantagem das empresas para com os trabalhadores”, lamentou.

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