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Nelas e Penedono: o silêncio das ... vereadoras

por Redação

23 de Maio de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

São poucas as mulheres no poder autárquico, mas que acabam por assumir papéis importantes quando chega a hora das decisões. Foi assim em Nelas e também o é em Penedono. Mas, apesar do cargo público para o qual foram eleitas, são autarcas de "poucas palavras"

Abstenção em Nelas

Durante a votação da execução orçamental, na reunião do executivo de Nelas, de 13 de maio, a vereadora do Partido Socialista, Mafalda Rodrigues Lopes, optou pela abstenção, obrigando o presidente da Câmara, Borges da Silva, a recorrer ao voto de qualidade para fazer aprovar o documento.

A abstenção da vereadora causou alguma supresa, uma vez que decidiu integrar por vontade própria a lista do PS nas últimas Eleições Autárquicas de 1 de outubro de 2017.

Com esta abstenção, Mafalda Lopes deixou claro que a sua relação com o presidente da Câmara e militante do PS está a passar por um momento conturbado, considerado nos meandros da política local, “de confronto e ruptura” entre ambos.

A vereadora confrontada pelo Jornal do Centro sobre os motivos que a levaram pela abstenção recusou-se a prestar declarações no sentido de clarificar a sua posição, enquanto detentora de cargo público, tendo afirmado que “é um caso interno para ser resolvido internamente”.

O sinal de insatisfação e conflito com o executivo presidido por Borges da Silva aconteceu no momento em que nas últimas eleições internas para a Comissão Política Concelhia do PS, a vereadora decidiu fazer parte da lista liderada pelo novo e atual presidente da Concelhia, Pedro Borges, em oposição à lista de Aires dos Santos, apoiada pelo presidente, Borges da Silva.

Mafalda Rodrigues Lopes é militante do PS desde 2016, quando a Comissão Política Concelhia dos Socialistas de Nelas, era presidida, por Maia Rodrigues.

Na altura, a recém militante foi a escolhida internamente, enquanto membro ativo da Comissão Política Concelhia local, como representante deste órgão partidário na Federação Distrital de Viseu do Partido Socialista, ainda liderada por António Borges.

A socialista, de 50 anos, reside em Canas de Senhorim e exerce também as funções de professora de Biologia e Ciências da Terra, na Escola Secundária de Nelas.

 

Penedono é “uma terra de segredos”

Sónia Numão é vereadora do PS na Câmara Municipal de Penedono. A técnica oficial de contas, de 38 anos, chegou a ser a candidata do PS à presidência da Câmara de Penedono, no norte do distrito de Viseu, elegendo como bandeira o combate à desertificação, caso tivesse sido eleita em outubro de 2017. Viria a perder, com 36.17 por cento dos votos, para o atual presidente eleito pelo PSD, Carlos Esteves, que obteve 55.24 por cento dos votos.

Foi nestas eleições, de 2017, que Sónia Numão, pela primeira vez, entrou numa “corrida autárquica”. Na altura, ainda como independente. Só mais tarde, há quase dois anos, viria a preencher a ficha de militante do Partido Socialista.

Atualmente, está à frente da concelhia do PS de Penedono.

O pai chegou a concorrer à autarquia de Penedono pelo Bloco de Esquerda.

Segundo informações recolhidas pelo Jornal do Centro, Sónia Numão terá “vontade em se candidatar novamente e ‘ir a jogo’”, tendo em conta que o atual presidente da autarquia de Penedono, Carlos Esteves (PSD), cumpre o seu último ano de mandato.

“Tudo dependerá do candidato do PSD e, eventualmente, de outras pessoas interessadas da parte do PS”, conclui a mesma fonte.

Depois de algumas notícias veiculadas pelo Jornal do Centro, em que os Bombeiros Voluntários de Penedono se queixavam da falta de apoio por parte da autarquia, o Jornal do Centro contactou a vereadora. Sónia Numão remeteu esclarecimentos para o final da Reunião de Câmara que viria a ser realizada no dia 6 de maio. Contactada, várias vezes, nunca respondeu a qualquer tentativa de contacto.

Também aos Bombeiros não chegou o prometido esclarecimento.

“Falei com a senhora vereadora Sónia Numão, da oposição, ela diz que me dizia qualquer coisa, que ia levantar o problema na reunião. Ficou de me dizer alguma coisa, mas, até hoje, não me disse nada”, lamenta o presidente da Direção dos Bombeiros. José Maria Silva acrescenta: “Isto é uma terra de segredos. Não sabemos o que se passa”, remata.

Em Penedono, pessoas ligadas ao movimento associativo, dizem não estranhar esta atitude da vereadora.

“Ela não quer entrar em conflitos com o presidente” que, segundo fonte revela ao Jornal do Centro, “não lhe liga importância”.

“Ela [Sónia Numão] até está à frente da concelhia do PS e nem as atas de reuniões de Câmara pede. O que divulgam é um resumo do que se discute e diz na reunião” contam.

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