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Nelas: CDS acusa presidente da Câmara de usar tribunais contra a oposição

por Redação

22 de fevereiro de 2021, 09:54

Foto Arquivo Jornal do Centro

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O presidente da Câmara de Nelas, Borges da Silva, apresentou à Justiça queixas-crime contra os vereadores do CDS, usando os recursos da autarquia, acusa a Concelhia do CDS. Os centristas dizem-se alvo de uma “sanha persecutória” em ano de eleições autárquicas. A queixa-crime estará relacionada com palavras proferidas durante uma reunião do executivo, em que o vereador do CDS chamou de "mentiroso" ao autarca. Borges da Silva terá então avançado com a queixa-crime. 

O vereador do CDS, Manuel Marques, lamenta que Borges da Silva use os tribunais para processar quem lhe faz oposição por causa dos sucessivos “diferendos políticos” na autarquia de Nelas.

“O Estatuto da Oposição prevê que nós façamos uma oposição crítica e é isso o que eu faço e não por ofensa pessoal”, sustenta.

Manuel Marques justifica o uso da palavra “mentiroso” contra Borges da Silva numa reunião da autarquia, a 19 de julho de 2019, porque, conta, “o senhor presidente dizia que eu queria fechar as Caldas da Felgueira, o que era de todo mentira”. Em causa, estava a resolução da dívida que aquela estância termal tinha com a autarquia.

“O senhor presidente continuou a insistir que eu queria acabar com as Caldas e ele não aceitou a palavra mentiroso. Para se calar, tive de lhe chamar pulha político. Portanto, sou acusado do crime de coação, porque interrompi a reunião, mas não é verdade porque quem cabe interromper é o presidente da Câmara, que me tem um ódio visceral”, refere, lamentando que o Ministério Público lhe tenha movido acusação.

O Jornal do Centro tentou obter esclarecimentos do presidente da autarquia de Nelas, Borges da Silva, mas sem sucesso.

Já a Concelhia do CDS afirma que em causa está "o facto de o presidente da Câmara Municipal usar, reiteradamente, os recursos municipais (escassos) para atacar os seus adversários políticos". “Se entende que a ofensa é pessoal devia ter a dignidade e retidão de apenas exclusivamente a suas expensas, processar quem entenda”, referem os centristas.

Em comunicado, a concelhia entende que este é um método “pouco transparente e merecedor de escrutínio o uso dos recursos municipais para estes fins” e que, por isso, pediu aos serviços da autarquia uma descrição completa dos serviços jurídicos externos prestados neste mandato por advogados e consultores jurídicos, isto para, referem, "aferirmos do esforço que o Município tem despendido nestes assuntos pessoais do Dr. Borges da Silva”.

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