09 mar
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Presidenciais: Em dia de voto antecipado, viseenses temem abstenção elevada

por Redação

17 de janeiro de 2021, 11:13

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

Escola da Ribeira, Viseu, 10 da manhã. A fila intensifica-se à medida que as horas avançam. Hoje é dia de voto antecipado. Dentro do estabelecimento de ensino há cinco secções de voto. Apela-se ao distanciamento social que vai sendo respeitado.  De resto, a fila que já chega ao exterior da escola, é rapidamente desfeita dada a distância que a pandemia obriga a cumprir. 

A Escola da Ribeira, em Viseu, é o sítio onde os cerca de 2500 viseenses que escolheram votar antecipadamente podem exercer hoje o direito de voto. No total, na região, cinco mil pessoas decidiram ir já hoje às urnas para decidir quem será o próximo presidente da República. 

Fila com muitos estudantes que decidiram hoje votar

Ali também esperam muitos jovens. De máscara e distantes uns dos outros e com o cartão de cidadão na mão aguardam a chegada à primeira mesa. Ali está alguém que vai indicar para que secção de voto se devem dirigir. "Sou dos Açores e tinha de votar hoje", disse Érica à reportagem do Jornal do Centro. A estudante exerceu o direito de voto com a noção de que a campanha eleitoral não foi esclarecedora. "Muito sinceramente vi algumas partes dos debates e sinto que houve mais esclarecimentos pessoais do que propriamente sobre eleições", afirmou. 

Outra das jovens na fila era Ana que exerceu o direito de voto pela segunda vez. "Sou estudante de Leiria e não conseguia estar lá dia 24 decidi vir aqui votar". Enquanto aguarda que a fila avance, a jovem de 19 anos, confessa que a campanha foi aquilo que esperava. "Assisti a parte dos debates. Há sempre aqueles conflitos mais pessoais. É o comum...", referiu. Quanto à abstenção que muitos especialistas dizem poder ser a mais elevada da história da democracia portuguesa, Ana diz-se com medo. "Acho que tem vindo a aumentar com o tempo, principalmente nos jovens e devíamos combater isso. É importante todos exercermos o nosso direito e dever", rematou. No fim olhou para o relógio e disse estar à espera há apenas dez minutos.

"Campanha é esclarecedora para quem quer ser esclarecido"

A fila encaminha-se para o interior da escola e a saída não se faz pela porta da entrada. Ao fundo do corredor, já depois de votar, João Carmo diz que tudo decorreu dentro da normalidade. "Senti-me seguro, todos os cuidados foram cumpridos e tem de ser assim". Magda, outra eleitora, teve alguma dificuldade em encontrar a secção de voto onde se deveria dirigir, mas, no fim, faz um balanço positivo. "Correu tudo bem, o que é importante é vir votar porque se não votamos não nos podemos queixar das consequências", assinalou. Por fim, defende que a campanha foi esclarecedora para quem se quis esclarecer. "Quem não quer ser esclarecido vai pelas notícias falsas", defendeu. 

Os votos são agora encaminhados para a junta de freguesia de cada eleitor

Em cada mesa de voto há cinco elementos que aguardam a chegada dos votos.  Quando se dirige ao local de votação, o eleitor leva o boletim de voto e um envelope branco onde coloca o respetivo boletim. No fim de votar, dirige-se à mesa e o envelope branco é colocado noutro envelope azul que inclui os dados do eleitor, incluindo, naturalmente, a freguesia onde habitualmente exerce o direito de voto.

No fim do voto antecipado, os envelopes são todos encaminhados para a freguesia à qual corresponde cada eleitor. Na prática,  hoje não se fica a saber quem leva vantagem, mas só domingo, juntamente com os votos do dia oficial das eleições é que esse resultado se apura. Os votos saem daqui num envelope  e, no próximo domingo, são daí retirados e colocados em urna fechada. Depois, a estes se vão juntar os votos dos restantes eleitores que se dirigirem às urnas daqui a uma semana. "Na abertura dos trabalhos vai dar-se baixa destes votos", indica Fernando Monteiro, presidente da quinta secção de voto na Escola da Ribeira.

A oportunidade de o interior se manifestar a Lisboa

Até às dez da manhã tinham votado naquela secção cerca de 10% dos eleitores. "Espero que os jovens tenham a sensibilidade de exercer o seu dever cívico. É a manifestação da nossa vontade. Foi uma liberdade que nos concederam e é a única altura em que o povo pode manifestar os seus interesses. Especialmente nós, Viseu. Estamos no interior. Se não manifestarmos alguma vontade através do voto, não se verifica nada em Lisboa", assinalou. 

Lá fora, mais gente aguarda pela oportunidade de votar. Se ali vão hoje as 2446 pessoas que se inscreveram para votar antecipadamente, logo se saberá. Portugal já escolhe o próximo presidente da República. 

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