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Regresso às aulas: autarquia acusa Governo de falhar. Pais estão "à rasca"

por Redação

17 de setembro de 2020, 17:29

Foto Arquivo Jornal do Centro

Encarregados de educação queixam-se da falta de informação e escolas da falta de assistentes operacionais

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A Câmara de Viseu viu-se obrigada a contratar 30 tarefeiros para garantir um recomeço normal das aulas nas escolas do concelho. O presidente da autarquia, Almeida Henriques, não poupa nas críticas ao Governo e lamenta o “silêncio absoluto” do Ministério da Educação sobre esta matéria. Críticas no dia em que arrancaram as aulas no concelho e às quais se junta a “confusão” e a “falta de informação” que os pais e encarregados de educação dizem estar a marcar o primeiro dia.

“Estivemos até ontem (quarta-feira) à espera de uma resposta do Ministério da Educação sobre o prometido e necessário reforço de assistentes operacionais. A resposta foi o silêncio absoluto. Mais uma vez, e sistematicamente, o Ministério da Educação falha nos seus compromissos e competências”, afirmou o autarca, no final da reunião do executivo.

O autarca recorda que a autarquia tem 230 assistentes operacionais que devido às exigências colocadas pela pandemia da covid-19, “somos obrigados a deslocar a maior parte deste número para o pré-escolar, já que é essa a competência da Câmara Municipal”.

A autarquia garantiu ainda que está a trabalhar, em conjunto com os agrupamentos e as Juntas de Freguesia, para colmatar as falhas de pessoal que estão a surgir. “O problema é do Ministério, mas as crianças são nossas, do nosso concelho, pelo que não iremos ficar parados”, adiantou o presidente da Câmara.

Às queixas do autarca, juntam-se também a de muitos pais que dizem estar “às escuras” quanto à forma como os filhos vão frequentar os estabelecimentos. Dizem que muitas das reuniões que estavam para acontecer com as direções escolares foram canceladas (uma vez que Viseu está em zona de transmissão comunitária ativa as autoridades de saúde desaconselham os ajuntamentos), mas que os estabelecimentos não se adaptaram para fazer passar as informações. “Não sei, por exemplo, como vão ser as refeições. Ninguém nos disse nada e a minha filha começa o primeiro dia efetivo de aulas na sexta-feira”, conta Ana Silva. Esta mãe diz que os pais dos meninos que estão na Escola João Barros estão dispostos a “fazer barulho” se não forem devidamente esclarecidos, até porque, sustenta, “a disposição das carteiras vai contra a regra. Há quem esteja em duplas”.

Esta quinta-feira foi o dia de regresso às aulas na maioria dos estabelecimentos de ensino, um dia que ficou marcado pelo anseio dos mais novos, mas pela preocupação dos mais velhos.

“Esto aqui há quase uma hora para o meu filho entrar. Disseram-me para estar às 9h00, cheguei dez minutos antes e já são quase 10h00”, desabafa uma mãe à porta da escola de Abraveses. Aqui, os meninos entram um a um e só depois de desinfetarem as mãos e o calçado e medirem a temperatura.

Já na Emídio Navarro, por exemplo, a vontade dos jovens era a de se reencontrarem. Cá fora, os amigos iam-se cumprimentando. Nem todos usavam máscara e os ajuntamentos foram inevitáveis. Do portão para dentro, as regras são outras.

 

Desinfeção e sinalética

Nas últimas semanas, os serviços municipais estiveram também a apoiar as escolas na definição dos planos de contingência, com a colaboração da Proteção Civil. A autarquia distribuiu termómetros e máscaras às escolas do 1.º Ciclo e do Pré-Escolar, bem como sinalética para colocação nos estabelecimentos de ensino, e adquiriu, por exemplo, tabuleiros individuais para servir os almoços das crianças, permitindo que o seu espaço de refeição seja único e mais facilmente higienizado. As refeições serão servidas em embalagens fechadas, por forma a evitar qualquer tipo de contaminação antes de chegarem aos alunos.

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