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Petição contra centro interpretativo do Estado Novo debatida no Parlamento

por Redação

02 de dezembro de 2020, 18:27

Foto Arquivo Jornal do Centro

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A petição contra o Centro Interpretativo do Estado Novo, promovida pela União dos Resistentes Antifascistas de Portugal (URAP), vai ser discutida esta quinta-feira (3 de dezembro) na Assembleia da República.

O documento, que tem 11.000 assinaturas protestando contra a criação do museu dedicado à época de António de Oliveira Salazar em Santa Comba Dão foi enviado em fevereiro deste ano ao Parlamento e agora vai ser sujeito a debate no hemiciclo.

O coordenador da URAP, António Vilarigues, lembra que este abaixo-assinado tem como objetivo travar e deixar ao abandono o projeto de um museu dedicado a Salazar, “com esse ou outro nome”. “Os diferentes intervenientes foram ouvidos e, agora, a petição vai entrar no plenário, por volta das 17h00, para ser votada”, afirma. António Vilarigues recorda que este projeto de criação de um museu sobre o Estado Novo remonta a 2001 e teve várias versões antes de se chegar à proposta atual, que consiste na requalificação de uma antiga escola com o nome de Salazar em Vimieiro, onde o antigo presidente do Conselho de Ministros nasceu.

O ativista lembra que a URAP “foi uma das instituições que, ao longo do período pós-25 de abril, mais se debateu para que se conhecesse o fascismo”.

António Vilarigues revela ainda que não existe condições para se avançar com projeto baseado no que diz ser “argumentos falaciosos” como o potencial para o desenvolvimento de Santa Comba Dão, a homenagem ao filho da terra e a preservação da sua memória.

“Em parte nenhuma do mundo onde houve regimes fascistas, tirando a Itália, não há nada de semelhante, nem museus que contem a história do lado dos ditadores e não do lado das vítimas. Nós achamos que não há condições, independentemente da boa vontade deste ou doutro interveniente, para que se faça um museu do lado da personalidade de Salazar”, explica.

O projeto do centro interpretativo do Estado Novo, que nunca foi consensual ao longo dos anos, foi retomado em 2019, sob muita polémica, pela Câmara de Santa Comba Dão, que planeia construir o museu em parceria com a Universidade de Coimbra na antiga Escola Cantina Salazar.

A URAP considera que esta iniciativa seria um “centro de conspiração contra a democracia e o Portugal de abril” e juntaria saudosistas do regime salazarista.

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