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Serial Killer de Santa Comba Dão vê saída precária recusada. Ex-militar da GNR cumpre mais de metade da pena

por Redação

20 de Junho de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

O ex-cabo Costa da GNR semeou o terror, na cidade de Santa Comba Dão, há 14 anos, ao assassinar três jovens. Cumpriu já mais de metade da pena máxima de 25 anos a que foi condenado pela justiça, faltam ainda 11 anos para a sua eventual saída em liberdade condicional, o que só acontecerá em 2031.

O “serial killer” de Santa Comba Dão, como é ainda conhecido, apresentou alguns pedidos para saídas precárias, mas esses recursos à Direção Geral de Reinserção dos Serviços Prisionais foram sempre recusados, por “não terem qualquer fundamento” segundo fonte ligada ao processo. Em causa, o perfil criminal do homicida, que foi condenado entre outros crimes por um triplo homicídio.

A eventual recusa de saída antes do tempo, depois de cumprida mais de metade da pena (14 anos de prisão) resulta sempre de uma avaliação e da decisão das autoridades competentes (decisor judicial) e está sempre relacionada com a perigosidade do recluso. O seu perfil criminal e a potencial perturbação da paz social que poderia trazer à comunidade, terão levado à inviabilização da eventual concessão de uma “Licença de Saída Jurisdicional” que “não tem qualquer fundamento, ou base sustentável, tendo em conta a perigosidade do recluso em causa”.

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Ex-cabo condenado por 10 crimes

Os crimes ocorreram nos anos de 2005 e 2006, quando o cabo Costa matou três adolescentes com as próprias mãos e se desfez depois dos corpos das vítimas.

Quando arrancou o julgamento, em julho de 2007, o assassino estava acusado de três homicídios, três crimes de dissimulação de corpo, um de profanação do corpo, dois de tentativa de coação  sexual e um de denúncia caluniosa (por acusar o tio da vítima Mariana Lourenço dos crimes).

Durante o julgamento, reclamou inocência e permaneceu calado à exceção da primeira e da última sessão do julgamento.

O antigo militar da GNR de Santa Comba Dão foi detido a 24 de junho de 2006 e encontra-se preso no Estabelecimento Prisional de Évora, uma cadeia que só admite condenados que tiveram, ou ainda têm ligações à Administração Pública (Estado).

Antes de chegar à prisão de Évora, o cabo Costa, passou algum tempo no Estabelecimento Prisional e Especial de Tomar, que apenas recebe reclusos com estatuto militar, a partir do momento em que foi expulso da Guarda Nacional Republicana, teve uma curta passagem de quase dois meses, na extinta prisão militar de Santarém, acabando por ser transferido para a penitenciária da cidade alentejana, onde se encontra atualmente. 

O julgamento iniciou-se a 4 de julho de 2007. O arguido foi condenado a 64,5 anos de prisão na sequência da sentença cumulativa aplicada pelo tribunal a 31 julho, do mesmo ano (2007).

A condenação cumulativa do “serial killer” acabou por ser reduzida para a pena máxima de 25 anos de cadeia.

O juiz Jorge Loureiro, que presidiu ao julgamento, considerou que ficou provado que o arguido, António Costa, é o autor dos nove dos dez crimes de que era acusado: três crimes de homicídio qualificado, dois crimes de ocultação e um de profanação de cadáver, dois de coacção sexual na forma tentada e um de denúncia caluniosa.

O magistrado afirmou na altura que o arguido “não exteriorizou qualquer sentimento de culpa”.

O homicida conhecia bem as vítimas. Os próprios familiares das raparigas assassinadas acreditavam que seria “impensável” que um agente de segurança, “extremamente religioso, próximo do padre da paróquia e homem de confiança de um comandante da GNR de Viseu, seu condutor e confidente, pudesse cometer um crime tão hediondo, como o triplo homicídio de três jovens raparigas”. 

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 Crimes marcaram Cabecinha de Rei


O lugar de Cabecinha de Rei, freguesia de Santa Comba Dão, nunca tinha visto algo semelhante. O primeiro corpo, o de Isabel Cristina Isidoro, de 17 anos, apareceu em maio de 2005. Tinha desaparecido sete dias antes da casa onde vivia, com os pais e quatro irmãos.

Segundo a Polícia Judiciária de Coimbra “o corpo foi encontrado por um pescador, perto da praia do Cabedelo, na Figueira da Foz. Estava ainda dentro de um saco de serapilheira onde tinha sido colocado”.

A autópsia ao cadáver revelou que Isabel Cristina ainda estava viva quando foi lançada à água. Morreu afogada.

Seis meses mais tarde surge nova vítima. Mariana Gonçalves Lourenço desapareceu a 15 de outubro de 2005 e também era vizinha do ex-cabo Costa. Tinha 18 anos, frequentava o primeiro ano de faculdade, num pólo da Universidade de Coimbra, em Oliveira do Hospital.

O ex-militar estava no quintal de casa quando a viu. Fazia parte da lista de adolescentes que estava decidido a beijar e depois matar. Tal como a primeira vítima, Mariana foi morta e corpo lançado ao rio. Mais uma vez, usando sacos de serapilheira.

Parte do corpo de Mariana, apareceu a 1 de junho. Um mês depois apareceu a segunda metade parte, porque se encontrava em péssimo estado e adiantado estado de decomposição, em forma de “sabonária”.

Seis meses depois, aparece uma nova vítima: Joana Margarida Marques de Oliveira. Tinha apenas 17 anos.

O caminho de 20 minutos a pé até casa, foi suficiente para a adolescente ser abordada pelo vizinho, que conhecia desde bebé. Ainda resistiu e lutou com o assassino, mas o final foi o mesmo de Isabel e Mariana.

A 8 de maio de 2006, data do último homicídio, o lado secreto e obscuro do cabo Costa estava muito perto de ser descoberto.

Dois meses depois iniciaram-se três dias de buscas às casas e ao carro do homem. Na sua residência de Santa Comba Dão, a Polícia Judiciária encontrou sacos compatíveis com aqueles que foram recuperados dos cadáveres das jovens e vestígios de sangue na bagageira do Fiat Punto branco usado para transportar os cadáveres das vítimas.

O homem, considerado bondoso, temente a Deus, passou a ser o principal suspeito dos trágicos homicídios.

Foi detido pela PJ a 24 de junho de 2006. Confessou os crimes aos inspetores. Em tribunal ainda tentou mudar a versão dos acontecimentos e chegou a apontar o dedo a um tio de Mariana Lourenço.

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