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S. Pedro do Sul: parasita desconhecido encontrado em Bordonhos

por Redação

20 de Maio de 2020, 10:49

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Um grupo de investigadores da Universidade de Évora descobriu uma nova espécie animal em Bordonhos, no concelho de S. Pedro do Sul. Trata-se de um parasita que ataca as raízes das plantas e por ali ter sido encontrado ficou com o nome de “Longidorus bordonensis”.

Manuel Mota, que integra a equipa de investigadores, destacou a importância da descoberta. “É uma espécie nova para a ciência, pelo que é importante. Se tem impacto na economia e na cultura da vinha, eu diria que, nesta fase e sem saber mais nada, deve ter pouco ou nenhum”, diz ao Jornal do Centro.

O estudo arrancou em 2014, com os investigadores à procura de nemátodos (parasitas) em zonas de vinhas. Manuel Mota confessa que a equipa escolheu Bordonhos, quase por acaso, numa pesquisa que já percorreu várias zonas do país.

“Ao recolher o solo, extrair de lá os nemátodos que apareceram, observar no microscópio e fazer as análises moleculares, percebeu-se que esta espécie encontrada era diferente do que estava descrito anteriormente. Era uma coisa nova”, explica o investigador.

A nova espécie tem apenas alguns milímetros de comprimento e vive no solo. “Alguns nemátodos são bons, porque ajudam o solo a ter a caraterística orgânica necessária, e outros são maus, porque causam problemas nas raízes das plantas. No caso desta espécie, ainda não sabemos do papel como parasita”, refere Manuel Mota.

Por isso, os investigadores vão voltar a Bordonhos para conhecer melhor esta espécie, mas só depois de acabar o estado de calamidade da Covid-19, “para ver se há uma relação de parasitismo entre esta nova espécie e a vinha”.

“Vamos fazer uma prospeção mais intensa junto às vinhas, para perceber se estão a ter algum problema. Só os agricultores e os viticultores é que podem dizer. Se não tiveram nada, provavelmente não haverá problema. Se eles disserem que notaram que as folhas estão a cair ou amarelas e não estão satisfeitos, então já temos de ir mais a fundo”, conclui Manuel Mota.

A descoberta resulta de um estudo pioneiro que já foi publicado numa revista internacional.

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