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“Temos que estar sempre a inovar para o vinho não perder a sua presença"

por Redação

28 de novembro de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Arlindo Cunha, presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, fala de uma região que é detentora de vinhos que melhoram com a idade

 

O que define o verdadeiro vinho do Dão?

É um vinho elegante, de caráter e gastronómico. É elegante porque é um vinho feito com uma mistura de castas, onde predomina a touriga nacional nos tintos e o encruzado no branco. E é um vinho muito equilibrado em termos aromáticos. 

É de caráter porque é um vinho com fortes taninos e, portanto, quando se bebe esse vinho, sente-se na boca a presença forte dos taninos que nos satisfazem as papilas gustativas e é um vinho gastronómico porque vai muito bem com a comida. Por outro lado, são vinhos com uma enorme longevidade. São os tais vinhos que melhoram com a idade. 

 

Procuram juntar o tradicional à modernidade para que o setor do vinho tenha sucesso e permaneça como tradição?

Sim, claro. Está na origem da nossa civilização cristã, desde há milénios de anos. O vinho está na base da nossa história e, portanto, é tradição. Mas, tem que ser modernidade porque os consumidores têm gostos e palatos diferentes. Há várias idades de consumidor e, portanto, temos que estar permanentemente a inovar e encontrar dentro do vinho, tipos de vinhos que satisfaçam vários grupos de consumidores e vários tipos diferenciados de palatos. Como sabemos, o vinho tem muita concorrência de outras bebidas alcoólicas e, portanto, temos que estar sempre a inovar para o vinho não perder a sua quota parte do mercado. 

 

Um bom vinho do Dão casa bem com que comida?

Eu diria que casa bem com tudo. O Dão foi no passado conhecido como uma região de vinhos tintos e continua a sê-lo. Mas, a verdade é que os vinhos do Dão brancos também são muito bons. Portanto, os vinhos tintos vão bem com qualquer prato de carne e os vinhos brancos com prato de peixe. Sendo que um vinho encruzado que é austero com uma grande mineralidade, também vai bem com muitos pratos de carne. Dentro dos vinhos do Dão, temos uma especialíssima ligação com qualquer gastronomia.

 

Onde se bebe mais Dão?

O maior consumidor, em termos absolutos, é curiosamente os Estados Unidos. Apesar de que o consumo por habitante, o maior consumidor está entre o Luxemburgo, França e Portugal. Em geral, são os países produtores de vinho, onde existe um maior consumo por habitante. 

 

O que a região vitivinícola do Dão tem para oferecer?

Em primeiro lugar, tem o enoturismo que é uma atividade que procura dar ao turista aquilo que de melhor o vinho tem, não só através da prova do produto como também as combinações que o produto tem. Acaba por ser a sua inserção nas paisagens em que foi produzido, nas adegas em que foi fabricado, nas casas, palacianas ou típicas. O que se pretende com o enoturismo é, de facto, levar o turista ao enquadramento da produção de vinho. Nesse caso, o Dão tem para oferecer ao enoturista essas paisagens magníficas dos vinhos do Dão. Normalmente, são vinhas que estão no meio da floresta ou do granito. São imagens muito fortes que marcam o vinho do Dão. Além disso, também tem acesso à gastronomia magnífica que tem a região do Dão e que pode acompanhar os vinhos.

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