09 mar
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Vacinação: bombeiros do distrito ameaçam com "posição de força" contra atrasos

por Redação

19 de fevereiro de 2021, 13:11

Foto Igor Ferreira

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Os bombeiros do distrito de Viseu criticam o atraso na vacinação dos operacionais à Covid-19 e ameaçam tomar uma “posição de força” como forma de protesto.

A reação chegou depois de notícias a darem conta que a vacinação aos bombeiros e às forças armadas e de segurança deixará de ser uma prioridade.

A escassez de vacinas levou a que fosse retardada a vacinação às Forças Armadas e também às forças de segurança, bombeiros, elementos de órgãos de soberania e médicos que não estejam na linha da frente, sendo reforçada a administração aos idosos com mais de 80 anos e aos doentes crónicos com mais de 50 anos.

Os corpos de bombeiros, que começaram a ser vacinados na semana passada, vão ter de aguardar agora a chegada de mais vacinas. Uma situação que o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu lamenta.

Em declarações ao Jornal do Centro, Guilherme Almeida diz perceber o problema da falta de vacinas, mas defende que, se não tivessem sido vacinadas pessoas não-prioritárias, as vacinas teriam sobrado para quem possa precisar delas.

“As coisas começaram todas ao contrário. Houve falta de rigor, de transparência e de organização, porque as vacinas acabaram por ir para o pasteleiro, o padre e o provedor e deviam ser dadas a muita gente que necessita delas e que têm diariamente contactos com doentes Covid. Mas isto já criou algum mal-estar entre os corpos de bombeiros”, afirma.

O também comandante dos Bombeiros Voluntários de Nelas lembra que a vacinação já feita a metade dos corpos efetivos das corporações foi um processo difícil porque, recorda, os comandantes tiveram de escolher “quem vai tomar primeiro e quem vai depois quando todos estão na mesma guerra”.

“Também não podemos esquecer que grande parte desta percentagem de homens e mulheres são voluntários. Isto é uma falta de respeito para com os bombeiros, porque está em causa a proteção e o socorro às populações, e tudo tem um limite”, acrescenta.

Guilherme Almeida acredita mesmo que os bombeiros têm de tomar uma “posição de força para criar impacto” como protesto ao atraso na vacinação à classe.

“Acho que, mais do que dizer que vamos protestar e fazer greve, temos de nos afirmar. Se estamos a afirmar que vamos fazer e nada se faz, estamos a ser descredibilizados e já ninguém nos leva a sério. Acho que, de uma vez por todas, vamos cada vez mais de ter que deitar a toalha ao chão e dar a entender a nossa importância e que fazemos falta ao país e às pessoas”, remata o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu.

O presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, defende que os operacionais devem protestar, mas sem greves. Já o coordenador da task-force da vacinação, o vice-almirante Gouveia e Melo, referiu ao Expresso que o país ainda só garantiu a chegada de dois milhões de vacinas até março.

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