02 Jul
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21 pessoas morreram de Covid-19 no Hospital de Viseu

por Redação

26 de Junho de 2020, 16:10

Foto Arquivo Jornal do Centro

Revelação feita na Assembleia Municipal desta sexta-feira por administrador do Centro Hospitalar

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Morreram no Hospital de Viseu 21 pessoas vítimas do novo coronavírus. A unidade hospitalar identificou 240 pessoas com a doença desde o início da pandemia.

Os números foram avançados esta sexta-feira (26 de junho) por Carlos Portugal, deputado municipal do PS na Assembleia Municipal de Viseu e membro do conselho de administração do Centro Hospitalar Tondela-Viseu.

“Até à data, dos dados recolhidos, foram atendidas mais de 3.500 pessoas, tendo sido diagnosticadas 240, dos quais 116 foram internados. Destes, 14 tiveram necessidade de cuidados intensivos”, revela. Segundo o gestor, os óbitos são de pessoas “com morbilidades graves ou de idade avançada”.

Carlos Portugal revelou ainda que em breve o laboratório do hospital vai começar a fazer testes à covid-19. Um laboratório de “patologia molecular” que, garante, pode vir a responder às lacunas que o S. Teotónio tem.

“Neste momento, há mais de um mês que fazemos análises a todos os doentes que vêm da urgência. Noutros, não temos ainda testes suficientes para dar resposta a todas as necessidades”, explica o administrador e deputado.

 

Hospital de Viseu tratado como “hospital de terceira” durante a pandemia

Já o presidente da Câmara de Viseu considera “inadmissível” que o Hospital de S. Teotónio tenha sido tratado como “um hospital de terceira” no combate ao novo coronavírus.

Na Assembleia Municipal, o autarca reiterou que o S. Teotónio é o hospital mais importante do interior português.

“Efetivamente, não foi um hospital referenciado para o tratamento e ainda hoje não são feitas as análises aos testes dentro do hospital. Eu acho isso inadmissível. Um hospital central como o de Viseu devia ser referenciado. Este é o hospital mais importante do interior e tem de ser tratado como tal”, refere.

Aos deputados municipais, Almeida Henriques não esconde que, por causa da pandemia, se viveram dias complicados em Viseu.

“Foram situações muito críticas que se viveram em vários sítios. Não vale a pena estar aqui a relatar, mas uma escola podia ter tido proporções muito elevadas para Viseu, bem como em mais de 10 instituições que não chegaram a aparecer nos telejornais, porque as coisas foram bem tratadas”, revela.

“Felizmente, houve uma parte do mérito e da sorte. Em Viseu, temos 106 casos identificados e nenhuma vítima mortal. Até bato três vezes na madeira, porque sou um bocado supersticioso”, acrescenta.

Para a Segurança Social, choveram mais críticas por não atuar mais depressa e estar dependente dos municípios. O vereador Jorge Sobrado adiantou que o programa municipal Viseu Ajuda permitiu ajudar 800 famílias, das quais mais de metade – 420 – não estava no radar da tutela.

“Se não fosse a intervenção do município e das freguesias, estávamos a falar de situações de carência que teriam uma demora na atuação do Estado de um, dois ou três meses. Noutros casos, mesmo com o conhecimento do Estado, haveria um vazio de resposta porque as pessoas não existiam para a Segurança Social”, lamenta.

Jorge Sobrado revela ainda que o município registou casos de famílias que tinham situações de carência e não tinham “resposta a tempo de medicação, refeições, alimentação ou bens de primeira necessidade”, assim como de “famílias estrangeiras que foram apanhadas no meio da crise”.

O vereador disse ainda que o Viseu Ajuda permitiu impedir um drama social às famílias visadas e que as suas histórias iriam envergonhar o país, caso não fossem resolvidos.

A Assembleia Municipal também aprovou por unanimidade uma moção a exigir a reabertura imediata da extensão de saúde de Bodiosa, que está encerrada desde março. O documento será enviado à ministra da Saúde.

O presidente da Junta de Bodiosa, Rui Ferreira, considerou que os utentes estão a ser tratados “de uma forma leviana”, “sendo revelador de um enorme desrespeito porque aí vivem nas freguesias rurais”. “Vou exigir à ARS Centro e ao ACES Dão Lafões que providencie urgentemente os meios necessários para a reabertura da extensão”, refere.

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