25 Set
Viseu

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Álcool, música alta e comportamentos agressivos deixam moradores em desespero

por Redação

08 de Agosto de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

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São várias as queixas por causa do ajuntamento de jovens até madrugada no largo de São Teotónio, localizado nas traseiras da Sé, em Viseu. Com a presença de álcool e música alta, os moradores da zona dizem que não conseguem dormir e que estão fartos de fazer queixas às autoridades, mas sem resolução à vista.

Ester é uma das residentes da rua Trás Do Colégio e fala em “barulho que dura até altas horas e que perturba a paz dos moradores”. Além do barulho, há também problemas de vandalismo. “No outro dia retiraram o poste que impede o acesso de automóveis e trouxeram para aqui os carros”, conta. O mais grave, segundo a moradora, é a “sujeira toda que fica na rua e que é apenas limpa no dia seguinte quando passa um senhor, sempre o mesmo, para apanhar as garrafas de cerveja, os copos e outras coisas”. Para a moradora, o problema não está tanto no comportamento que os jovens possam ter em função do álcool, mas sim no lixo que fica nas ruas daquela zona e que, segundo a mesma, “dá um aspeto horrível à cidade, especialmente numa zona histórica e de turismo como esta”.


Para um casal residente naquela área há mais de 50 anos, as preocupações são outras. Preferindo manter o anonimato com receio de represálias por parte dos jovens, este casal esclarece que muitas vezes o consumo de álcool por parte dos adolescentes origina comportamentos menos corretos, especialmente com o ambiente de festa e convívio que se verifica nas noites de sexta-feira e sábado.

“Passam aí muito tempo”, afirma a senhora, costureira reformada. “É sistemático. Deixam as garrafas espalhadas pela rua, inclusive junto das casas das pessoas”. A moradora conta ainda que, além das garrafas, é visível a presença de copos e de preservativos no relvado junto ao museu Grão Vasco. “Urinam em púbico, tanto os rapazes como as raparigas. Uma vez, inclusive, estava um casal a praticar relações sexuais num canto da rua mais escondido”, denuncia. Afirma ainda que é raro a polícia passar no local e que quando o faz é sempre no início da noite, quando não há ajuntamentos. Outras vezes, quando as chamadas são de madrugada, “não respondem aos pedidos”.

Segundo o marido desta moradora, já houve, inclusive, confrontos com o filho, numa altura em que saiu à rua para pedir aos jovens que fizessem pouco barulho e que abandonassem o local. O jovem “foi ameaçado de violência física por um grupo de indivíduos que, entretanto, se juntou nessa noite”, diz. O medo de represálias é fundamentado por parte do casal. “Já se meteram em cima de um dos nossos carros e um vizinho nosso contou que já lhe tentaram arrombar o canhão do carro”...

Ainda na última quinta-feira, os moradores voltaram a chamar a polícia, eram perto das 04h00. “A polícia veio, mas nem pediu a identificação. O pessoal nem desligou o rádio quando as autoridades chegaram”, desabafou uma outra moradora que diz já ter sido maltratada. “Chegaram a mandar-nos calar e a chamar-nos de otários”, lamentou.

Vítor Rodrigues, comandante da PSP de Viseu, afirma que a PSP tem conhecimento das situações e que já foram lá por diversas vezes “dispersar os jovens que se encontram no local”. Segundo o comandante, as queixas são originadas pelo barulho excessivo. Vítor Rodrigues explica que os turnos têm instruções para passar constantemente por ali, mas afirma que não pode “ter lá um homem de modo permanente”.

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