03 dez
Viseu

Região

Homem condenado a oito anos e meio de prisão por atropelar colega duas vezes

por Redação

04 de novembro de 2020, 15:34

Foto Arquivo Jornal do Centro

Arguido tem, ainda, de pagar 40 mil euros de indemnização

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O Tribunal de Viseu condenou a oito anos e seis meses de prisão efetiva o homem que atropelou por duas vezes um colega. A sentença foi lida esta quarta-feira, terminando assim o julgamento que teve um tribunal de júri, mas cuja decisão dos jurados não foi divulgada, por salvaguarda da sua segurança. 

O arguido, Fábio Cardoso, de 34 anos, negou a intenção de matar o ofendido. 

O crime ocorreu no dia 8 de maio de 2019, em Viseu, numa zona referenciada por tráfico de droga e prostituição.

Vítima e agressor envolveram-se numa discussão por causa de uma dívida no valor de cinco euros relacionada com a aquisição de estupefacientes.

Durante a discussão, o ofendido deu um estalo na face do arguido que entrou para o carro e que quando viu a vítima a um metro da frente do veículo, decidiu pôr o motor a trabalhar e acelerou a marcha, embatendo no corpo do colega que caiu inanimado no chão. 

Logo de seguida, o arguido fez marcha atrás e acelerou novamente, passando por cima das pernas do ofendido, abandonando depois o local. No dia seguinte dirigiu-se à PSP para dar como furtado o seu próprio carro, “na tentativa de esconder os factos”, acredita o Tribunal. 

O ofendido, Nuno Lopes Manuel, de 48 anos, acabou por ser assistido no Hospital de Viseu, onde esteve internado durante 123 dias. Está internado, desde junho de 2019, na Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Vouzela.

“[O ofendido] não morreu, mas morreu para a vida. Ficou com sequelas para o resto da vida. Desloca-se em cadeira de rodas, não verbaliza qualquer palavra de forma compreensível, consegue comer, mas não prepara qualquer refeição, usa fralda e não tem qualquer interações familiar”, disse, na leitura do acórdão, a juíza presidente. 

O Tribunal de Viseu deu como provados os crimes de homicídio qualificado na forma tentada e, ainda, a posse de arma proibida (uma faca de ponta e mola). Pelo segundo crime, foi condenado ao pagamento de uma multa no valor de 1440 euros. O arguido foi ainda condenado a pagar as despesas médicas hospitalares de tratamento do colega, no valor de 652 euros, e a uma indemnização de 40 mil euros. 

“O crime que cometeu é muito grave, com graves consequências na vida do Nuno, que está impossibilitado de ter uma vida normal. Interiorize o mal que fez, cumpra a sua pena e volte a reintegrar-se na sociedade”, concluiu a juíza.

O Tribunal tem a convicção de que o arguido “teve intenção de atingir mortalmente o ofendido e, não satisfeito, ainda lhe passou por cima das pernas”, disse. 

O advogado do arguido, André Marques da Cunha, garantiu aos jornalistas que vai fazer a  “apreciação do recurso”.

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