09 mar
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Motoristas da Berrelhas em protesto por salário em atraso

por Redação

17 de fevereiro de 2021, 12:49

Foto Igor Ferreira

Dizem que há quem esteja a passar por graves dificuldades

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Os motoristas da empresa Berrelhas protestaram esta manhã de quarta-feira (17 de fevereiro), em Viseu, por causa do salário em atraso. O mês de janeiro ainda não foi pago.

Reunidos na Central de Camionagem com cartazes a reivindicar também melhores condições, há quem já tenha passado pela necessidade de pedir ajuda aos colegas.

“Estamos a caminho do segundo mês sem receber ordenados. Há pessoas a passar dificuldades. Eu sou um deles. Tenho dois filhos pequenos e a minha esposa não trabalha. Já tivemos de ajudar um colega, ir com ele às compras buscar pelo menos os bens essenciais senão ficava sem dar de comer aos filhos e, no meio disto tudo, não temos ninguém da empresa a vir falar connosco e perguntar se há alguém com necessidades imediatas”, lamentou Nuno Pereira, um dos mais de 50 motoristas que, por volta das 9h15, se juntaram na Central de Camionagem.

Segundo o funcionário, “a única coisa que houve foi uma chamada por parte de uma pessoa que está na administração para um delegado sindical a dizer que teria de ser ele a informar a empresa sobre quem estaria a passar dificuldades”.

Divergências entre a Câmara de Viseu e a concessionária que explora o MUV foi uma das justificações que os trabalhadores dizem receber por parte da administração para o atraso nos pagamentos, assim como problemas levantados pela pandemia.

O dirigente sindical Hélder Borges esclarece que por causa desse diferendo, são “os trabalhadores que estão a ser prejudicados”.

“A empresa entrou agora num processo de lay-off em que se é obrigado a transmitir aos trabalhadores qual o fundamento económico. Esta empresa não o está a fazer e entendemos que há também uma falta de fiscalização da Segurança Social e da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) porque há empresas que estão a utilizar os trabalhadores para receber benefícios, mas os trabalhadores continuam sem salário neste momento”, denunciou ainda.

Já a autarquia de Viseu diz que cumpre com todos os seus deveres. Em comunicado, avança que foram efetuados todos os pagamentos e que tem cumprido atempadamente com as suas obrigações. Questionada, a Berrelhas ainda não prestou esclarecimentos, mas antes do plenário terminar, os trabalhadores receberam a informação de que os salários seriam pagos entre esta quarta e quinta-feira (dia 18).

Hélder Borges afirmou que o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal vai continuar atento à situação da Berrelhas porque, constatou, “não é a primeira vez que os salários são pagos com atrasos”. Disse ainda que já foi dado conhecimento à ACT, entidade à qual pediram uma “intervenção urgente”.

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