28 fev
Viseu

Região

Vacinação: chegaram nervosos, mas cheios de boa disposição

por Redação

12 de fevereiro de 2021, 15:35

Foto Arquivo Jornal do Centro

Idosos com mais de 80 anos tomaram esta sexta-feira a primeira dose da vacina contra a Covid-19

CLIPS ÁUDIO

Arrancou esta manhã de sexta-feira (12 de fevereiro) a vacinação contra a Covid-19 nos idosos de Viseu numa experiência piloto com os utentes da Unidade de Saúde Familiar (USF) Lusitana.

Convocados, via telefone, pela USF, foram começando a chegar ao centro de vacinação, instalado no Pavilhão Multiusos, a partir das 9h00 da manhã. O aviso foi para que chegassem 10 minutos antes da hora marcada. 

Daniel Baptista, com 85 anos, chega acompanhado da mulher. Só ele vai receber a primeira dose. A mulher ainda tem 75 anos. Bem dispostos, aguardam, com expectativa, que o nome seja chamado pelo enfermeiro. De braços dados, mostram-se calmos e confiantes. 

Quando entra, é trocada a máscara de proteção individual e no primeiro hall, com a ajuda de voluntários da Liga dos Amigos do Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV), responde a um formulário. Enquanto nenhuma das oito boxes de vacinação estiver livre, aguarda na sala de espera. Quando chamado de novo, dirige-se ao secretariado, já no interior do pavilhão, e só depois à box de vacinação indicada. 

Amadeu Dias, com 83 anos, também recebeu uma chamada da sua USF. Conta-nos que aceitou “de imediato”. A minutos de entrar no centro de vacinação, rejeita qualquer sentimento de nervosismo. Quando lhe perguntamos se depois do dia de hoje se vai sentir mais seguro, responde, “vamos lá ver”. 

Juliana Balula chega acompanhada da afilhada, Noélia Rocha, que nos diz que, ao princípio, a madrinha não queria ser vacinada. “Ela dizia ‘com esta idade já não vale a pena, se morrer, morri’, mas eu acho que enquanto há vida há esperança”, sublinha, acrescentando que a família vai sentir-se mais segura depois da toma da imunização contra a Covid-19. 

Ouve-se, do lado de dentro a chamarem “dona Juliana Balula”, e ela apressa-se a entrar. Chegou a sua vez de ser vacinada. 

Antónia Paiva, com 86 anos, diz que está “com medo e com uns nervos danados”. Revela que quando foi contactada dele algumas dúvidas em aceitar, mas rapidamente mudou de ideias. “Disse à enfermeira ‘pronto, está bem’”, lembra. 

Já na sala de vigilância, onde os utentes têm que aguardar cerca de meia hora após a vacinação, voltamos a encontrar Juliana Balula.

Perguntamos-lhe como correu. “Correu bem”, responde e ouve-se um sorridente por trás da máscara. A afilhada, que continua ao seu lado, diz-nos que “a madrinha não tem medo de nada”.

Depois de 30 minutos, e caso não haja reações adversas, o utente ainda deve dirigir-se a um membro do staff, composto por voluntários da Câmara Municipal, e mostrar o cartão que recebeu no gabinete de enfermagem, aquando da toma da vacina. A saída é feita pelo lado oposto da entrada, de forma a não se cruzarem os circuitos. 

Já depois de ter tomado a vacina, Antónia Paiva continua ‘de cara alegre’, mas, revela-se “nervosa”. “Só tenho medo que me dê o badagaio”, diz, soltando uma gargalhada. 

Daniel Baptista está já a 10 minutos de poder abandonar o centro. “Quase nem senti a picada”, conta.

António Lopes, com 85 anos, diz que está “bem-disposto”. “Não senti nada”, conta, em relação à vacina. Ao centro vai voltar no dia 5 de março para tomar a segunda dose da vacina. 

.

 

Voluntários do Hospital ajudam na operação

A ajudar na operação estão os voluntários da Liga dos Amigos do CHTV. O vice-presidente da instituição revela que o mais difícil é lidar “com o desconhecido”. “Se bem que, a maior parte deles [idosos] vem muito feliz e satisfeito porque vão levar a sua primeira dose de vacina. Isso é extraordinariamente importante e gratificante para eles e para nós que estamos a colaborar”, afirma Luís Viegas.

O também vice-presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde deixa críticas ao Governo e à Direção-Geral da Saúde (DGS).

“É lamentável que a tutela ainda não tenha olhado para o voluntariado hospitalar. Somos centenas que estamos no terreno por todo o país e não tem havido o mais pequeno cuidado por parte do Governo em se lembrar que existimos. Lançamos um apelo, principalmente à DGS para que, pelo menos, responda aos e-mails que a Federação lhe enviou”, aponta. 

Entre esta sexta-feira e sábado (dia 13), vão ser vacinados mais de 200 utentes.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts