Foto Igor Ferreira
O vereador do PS na Câmara de Viseu, Baila Antunes, acredita que parte da Muralha Afonsina no centro histórico tenha sido destruída.
Recentemente, um troço da Muralha foi descoberto enquanto decorriam os trabalhos numa obra. O troço tinha cinco metros de altura e 12 metros de comprimento. Entretanto, a autarquia planeia construir um túnel que ligará a Travessa D. Zeferino à Rua Cónego Martins.
Em declarações ao Jornal do Centro, Baila Antunes fala de um atentado patrimonial e diz que há indícios “muito fortes” de que haveria muito mais muralha.
“É fácil de ver pelo modo e expressão da construção, pelos cinco metros de altura e verificando fotografias antigas. Junto ao edifício vermelho, havia nitidamente o que parecia ser um troço da muralha, enquanto as fotografias atuais indiciam ‘restos’, muito particularmente no final da propriedade onde vai ser inserido o túnel municipal”, argumenta.
Segundo Baila Antunes, uma “parte significativa” da Muralha Afonsina e que “seria a entrada do futuro túnel municipal” já tinha sido destruída entre 2017 e 2019.
O vereador do PS já pediu esclarecimentos à Câmara de Viseu, mas sem sucesso até agora. Baila Antunes refere que questionou o executivo “de uma maneira muito factual e objetiva com dados”.
“Neste momento, ainda não tive nenhuma resposta. Acho que não é adequado porque já lá vão alguns dias para saber sobre o que é que foi feito e sobre aquela muralha que o município conhece, até porque esta é uma obra em que o município tem interesse direto. Esta obra foi acompanhada por um arqueólogo, mas não sabemos o que terá acontecido à muralha”, diz.
Baila Antunes questiona mesmo se o troço descoberto da Muralha Afonsina “é verdadeiro”. “Tudo leva a crer que sim. Na verdade, tem que haver uma resposta objetiva se houve ou não houve derrubo de troços da muralha”, acrescenta.
O socialista também exige saber se a muralha foi derrubada por causa do projeto do túnel municipal que vai ligar a Travessa Dom Zeferino à Rua Cónego Martins. Baila Antunes pede a apuração das responsabilidades sobre este caso.
“De quem é a responsabilidade? O que é que a Câmara Municipal e a SRU Viseu Novo, que também esteve a acompanhar a obra, sabem sobre esta questão? Enquanto vereador da oposição, quero respostas porque está aqui em jogo um eventual atentado patrimonial da máxima relevância sobre um monumento nacional”, aponta o vereador da oposição.
O Jornal do Centro questionou a Câmara de Viseu para pedir esclarecimentos sobre este assunto.

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