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Covid-19: vacinas começam em janeiro para 950 mil pessoas prioritárias

por Redação

03 de dezembro de 2020, 17:31

Foto D.R.

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As vacinas contra a Covid-19 vão começar a ser administradas a partir de janeiro, sendo os grupos prioritários as pessoas com mais de 50 anos com patologias associadas, residentes e trabalhadores em lares, e profissionais de saúde e de serviços essenciais.

A informação foi divulgada esta quinta-feira (3 de dezembro) por Francisco Ramos, coordenador do grupo que preparou o plano de vacinação, segundo o qual numa segunda fase a prioridade será para pessoas com mais de 65 anos sem patologias associadas, e pessoas com mais de 50 anos, mas com um leque mais alargado de patologias associadas, como a diabetes.

Na apresentação do plano que decorreu no Infarmed, em Lisboa, o responsável estimou que sejam vacinadas 950 mil pessoas numa primeira fase, sendo 250 mil o grupo dos lares, 400 mil as pessoas com mais de 50 anos e comorbilidades associadas e 300 mil profissionais.

Na segunda fase serão vacinadas 1,8 milhões de pessoas com mais de 65 anos e cerca de 900 mil com patologias associadas e mais de 50 anos.

Francisco Ramos especificou que as pessoas com mais 50 ou mais anos da primeira fase da vacina (universal, gratuita e facultativa) serão as que tenham associadas uma ou mais patologias como insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença respiratória crónica com suporte ventilatório.

Na segunda fase, além de todas as pessoas com 65 e mais anos, estão pessoas com 50 e mais anos com alguma das seguintes patologias associadas: diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, obesidade, e hipertensão arterial. A comissão recomenda que se podem incluir outras patologias, caso se considere necessário.

A terceira fase, disse o responsável, compreende o resto da população, desde que se confirme um ritmo de abastecimento das vacinas que o permita, porque caso contrário podem ser criados ainda outros grupos.

A operação logística da vacinação ai ser “mais robusta” e centralizada do que habitualmente, funcionando numa “lógica de comando e controlo”.

“Em termos de logística, está a ser preparada uma operação mais robusta do que é habitual”, afirmou Francisco Ramos.

A vacinação contra a gripe, por exemplo, ocorre num processo descentralizado, regionalizado e próximo dos locais de vacinação.

Ao contrário, no caso da vacina contra a Covid-19, esta nova operação será centralizada, naquilo que o coordenador descreveu como “uma lógica de comando e controlo”.

 

Plano será gratuito e universal, garante primeiro-ministro

O primeiro-ministro António Costa disse que haverá critérios transparentes na definição das prioridades na administração da vacina contra a Covid-19, estando nas primeiras categorias os profissionais de serviços essenciais e as populações mais vulneráveis, como os idosos. "É importante que com toda a transparência sejam definidos os critérios de prioridade na administração da vacina", declarou.

De acordo com o primeiro-ministro, os critérios propostos pela comissão para a vacinação contra a Covid-19 "são claros". "Em primeiro lugar, vamos proteger quem nos pode proteger, ou seja, os profissionais de saúde, os trabalhadores dos lares, as Forças Armadas e forças de segurança, aqueles que são fundamentais em todos os serviços essenciais", justificou.

Em segundo lugar, de acordo com o líder do executivo, estão "as populações mais vulneráveis, seja por fator etário, seja por comorbidades associadas", ambos grupos de risco. "É um critério claro, transparente e que todos compreendemos", defendeu.

Segundo o primeiro-ministro, o plano de vacinação apresenta "quatro marcas fundamentais: Será universal, facultativo (como é tradição), gratuito, e distribuído a toda a população de acordo com os critérios de prioridade definidos técnica e cientificamente e politicamente também validados".

"Temos boas razões para estar confiantes neste processo", acrescentou.

O líder do Governo alertou ainda que o processo de vacinação terá imponderabilidades externas a Portugal, sendo também complexo ao nível interno, com as dificuldades a aumentarem quanto maior for o universo de cidadãos a vacinar.

"Há agora uma luz ao fundo do túnel, mas o túnel é ainda muito comprido e bastante penoso. Portugal irá adquirir 22 milhões de vacinas, mas essa quantidade de vacinas não chega automaticamente no primeiro dia. Vão chegando escalonadamente e gradualmente ao longo de todo o ano de 2021", declarou o líder do executivo.

António Costa salientou que a operação de vacinação vai desenvolver-se ao longo do ano e não se concentrará num primeiro momento.

"É preciso que os portugueses tenham consciência de que é necessário sempre falar verdade e, para isso, é necessário saber que toda esta operação é sujeita a um conjunto de imponderabilidades bastante significativo. Desde logo a montante de Portugal, porque não depende de nós a produção industrial nem o licenciamento das vacinas, e se houver aí algum atraso teremos de possuir flexibilidade para readaptar o calendário", apontou.

Ao nível interno, segundo o primeiro-ministro, a parte mais fácil decorreu até agora com a elaboração do plano de vacinação e as dificuldades "começam agora".

"As dificuldades serão crescentes conforme o processo se for desenrolando. Vai ser mais fácil toda a operação nas primeiras semanas em que haverá poucas doses e em que o universo dos destinatários é ainda limitado. Mas será tudo muito mais exigente conforme as doses forem chegando em quantidades reforçadas e o universo a vacinar for mais alargado", advertiu.

Para António Costa, em Portugal, nunca antes terá existido um esforço de vacinação "com um volume tão significativo num tão curto espaço de tempo".

"É um esforço imenso que será feito, mas que não é menor do que o esforço que os portugueses têm feito ao longo destes meses para prescindirem da sua liberdade com objetivo de conterem a pandemia. Esta pandemia extravasou o âmbito estrito da saúde e invadiu também a nossa economia e a nossa sociedade", acrescentou.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.495.205 mortos resultantes de mais de 64,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 4.724 pessoas dos 307.618 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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