04 Jun
Viseu

Saúde

Coronavírus: rapidez na transmissão surpreendeu médica do Hospital de Viseu

por Redação

18 de Maio de 2020, 17:09

Foto Arquivo Jornal do Centro

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A rapidez de transmissão do novo coronavírus foi o que mais surpreendeu na crise pandémica que marca os dias de hoje. A opinião é de Maria Luísa Mocho, médica infecciologista no Centro Hospitalar Tondela-Viseu.

Em entrevista ao Jornal do Centro, a especialista não esconde a sua admiração pela surpresa da velocidade com que o vírus se propagou, da China para a Europa, e admite que esperava mais tempo para que os hospitais se preparassem para o que vinha.

“Isso apanhou-nos um pouco de surpresa. Esperávamos ter mais tempo para termos mais respostas terapêuticas ou vacinas. Na fase inicial, esperávamos mesmo ter tempo para preparar os hospitais. Alguns deles tiveram muitas dificuldades em ter ventiladores. As máscaras e os equipamentos de proteção individual chegaram com alguma dificuldade em alguns centros hospitalares”, diz.

Maria Luísa Mocho também se mostra satisfeita com a forma como os portugueses souberam travar a pandemia. A médica espera que não se deite tudo a perder nesta altura de desconfinamento.

“Estamos na fase da memória curta. Já estamos a esquecer do que passámos e parece-me que as pessoas estão a desconfinar com um à-vontade a mais. Ainda é necessário ter cuidados e estamos a ter bons resultados, porque as pessoas comportaram-se de forma muito correta, mas já vejo algumas que acham que, só por a máscara está na casa, nos protege mas [esquecem-se de que] têm de tapar o nariz e a boca”, sustenta.

Enquanto o mundo está à procura da cura e a trabalhar em vacinas para conter a Covid-19, a médica lembra que o distanciamento social já está comprovado cientificamente e é, juntamente com as medidas de prevenção, a melhor política para travar o coronavírus. “Conseguem fazer com que a doença não seja transmitida”, sublinha.

Apesar das atenções viradas para o novo coronavírus, Maria Luís Mocho recorda a Sida. A médica lembra que, apesar de esquecida, esta doença ainda infeta várias pessoas. “Na Sida, temos tanta gente infetada e que não faz a mínima ideia. Quando já está numa fase tão avançada da doença [da Covid], deixou-se de falar no vírus da Sida. O que se diz é que todas as pessoas deviam fazer, pelo menos uma vez, o teste, nem que seja aos 80 anos. Qualquer faixa etária pode ser atingida”, remata.

Maria Luísa Mocho está no programa Espaço Atualidade do Jornal do Centro.

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